Prezad@s,
encerramos nosso curso de Saúde Mental.
Gostaria de agradecer à turma pelo envolvimento, pelas questões sobre conteúdo e outras mais e pelos momentos de aprendizagem que pudemos partilhar.
Esse semestre foi atropelado por vários poréns, mas é a vida que urge lá fora e quem sabe estivemos a altura dos desafios que nos tocavam os encontros de terça e quinta: o de vocês, saírem com alguma mudança; o meu de sensibilizá-los que há estratégias, redes e buscas políticas, éticas, artísticas e até intelectuais que podem, merecem e devem ser feitas.
Alguns de vocês falaram em incômodos e crises geradas pelas perguntas que os assolaram, que vocês possam se demorar com elas – uma virtude da psicologia é sustentar as questões, talvez seja esta nossa contribuição a um mundo tão apressado pelas respostas prontas a serem consumidas e esquecidas.
Por isso, o apelo para aprenderem a lidar com o mal-estar de vocês mesmos, o que não significa resolver ou calar o que faz doer na carne, mas olhar para a ferida com plenitude e coragem.
Vocês estão em um contexto de aprendizagem, tem muitas coisas que não conseguimos passar nas salas de aula, por isso, cantem, poemem-se, dancem, pintem, enfim experimentem o pensamento e o caos que habita cada um de vocês. Nele, vocês podem encontrar a lição que nenhum professor pode dar para vocês, mas que será determinante no contexto de atuação profissional, quando estiverem frente a frente com outra vida, cheia de dramas, nós e tensões intangíveis, mas frente as quais só a criatividade e a dignidade podem responder.
Por fim, aos que se sentiram feridos, peço desculpas; aos que puderam sair um pouquinho diferente do que entraram, saravá e a todos, estejam bem-vindos futuramente.
Para gente aguerrida, é preciso coragem e fé, boas férias, recarreguem as baterias e não se rendam.
NÃO SE RENDA (Mario Benedetti, Uruguai, 1920-2009)
Não se renda, ainda é tempo
de alcançar e começar de novo,
aceitar suas sombras,
enterrar seus medos,
liberar o lastro,
retomar o vôo.
Não se renda que a vida é isso,
continuar a viajem,
perseguir seus sonhos,
destravar o tempo,
correr pelos escombros,
e desanuviar o céu.
Não se renda, por favor não ceda,
ainda que o frio queime,
ainda que o medo morda,
ainda que o sol se esconda,
e se cale o vento,
ainda há fogo na sua alma
ainda há vida nos seus sonhos. (...)
Porque não há feridas que não cure o tempo.
Abrir as portas,
tirar as trancas,
abandonar as muralhas que te protegeram,
viver a vida e aceitar o desafio,
recuperar o riso,
ensaiar um canto,
baixar a guarda e estender as mãos
despregar as asas
e tentar de novo,
celebrar a vida e retomar os céus.
Não se renda, por favor não ceda,
Ainda que o frio queime,
ainda que o medo morda,
ainda que o sol se ponha e se cale o vento,
ainda há fogo em sua alma,
ainda há vida em seus sonhos
Porque cada dia é um novo começo,
porque esta é a hora e o melhor momento.
Porque não você está sozinho, (...)