Clínica Ampliada e Compartilhada Documento base do SUS sobre Clínica Ampliada e Compartilhada que parte dos seguintes preceitos:
1) Compreensão ampliada do processo saúde-doença: compreender que cada manifestação de sofrimento que chega sob a forma de demanda comporta aspectos que condizem ao adoecimento orgânico, às conjunturas e correlações de forças sociais (em suas diversas faces econômica, cultural, étnica, etc.), à situação afetiva mais ou menos relevante em cada momento. Assim, ao colocar em questão a fragmentação dos processos de trabalho e a delimitação disciplinar dos saberes, a Clínica Ampliada busca construir sínteses singulares para cada caso, mesmo que isto custe o tensionamento dos limites e características de cada matriz disciplinar.
2) Construção compartilhada dos diagnósticos e terapêuticas: a complexidade do objeto saúde
e dos processos saúde-doença levam à necessidade de compartilhar diagnósticos e propostas de solução. Tal movimento para além da visão unidimensional (sob qualquer dos aspectos) faz o cuidado e a Clínica Ampliada extrapolar o campo da saúde na direção da ação intersetorial, que implica outros setores do poder e das políticas públicas, assim como os dispositivos disponíveis no território.
3) Ampliação do objeto de trabalho: uma vez que não se trata mais de doenças, mas de pessoas, há de se ter em mente que estas são indissociáveis dos laços e relações que tecem sua vida concreta e com o meio em que vivem (LANCETTI, 2002). A decorrência desta ampliação tem como desdobramento a proposta da Equipe de Referência e Apoio Matricial.
A transformação dos meios ou instrumentos de trabalho: são imprescindíveis transformações no que diz respeito a arranjos inter e intrainstitucionais que possibilitem uma comunicação transversal nas equipes e entre as equipes que compõem as redes assistenciais. No cerne destas redes, se fazem necessárias técnicas relacionais calcadas na capacidade de escuta, na postura crítica frente aos automatismos e no fomento à capacidade de lidar com a expressão de problemas sociais e subjetivos para a construção de uma abordagem clínica compartilhada.
Suporte para os profissionais de saúde: uma vez que para lidar com a complexidade dos processos saúde-doença com técnicas relacionais é impossível se refugiar na neutralidade e não-envolvimento que tradicionalmente pautam a formação para a atuação em saúde, se faz urgente criar instrumentos de suporte aos profissionais a fim de possibilitar o manejo com suas próprias questões e dificuldades. Por isso, além da educação permanente em saúde, se recomenda a construção de espaços de solidariedade, partilha e discussão dos problemas do processo de trabalho, atentando à conflitividade, à fragmentação e à resolubilidade que se desenlaçam nele.