18. O fazer clínico na Atenção Psicossocial: vivências e subjetividade como estrutura fixa ou como processo (13/10/2025 - 13/10/2025)
Aula 19 - A Clínica na Saúde Mental (continuação)
Plano de Aula – Clínica da Diferença na Atenção Psicossocial
1. Identificação
• Disciplina: Saúde Mental
• Tema da Aula: O trabalho clínico na psicopatologia – A clínica da diferença
• Carga horária: 2h
• Público-alvo: Estudantes de Psicologia
2. Objetivos
Geral:
- Compreender a proposta da clínica da diferença como alternativa à clínica centrada na normalização, no sintoma e no diagnóstico.
Específicos:
- Discutir os conceitos de vivência e subjetividade na prática clínica.
- Exercitar metodologias de cartografia clínica e análise de casos.
- Promover postura crítica frente ao modelo psiquiátrico tradicional.
3. Conteúdo
• Vivência como experiência fenomenológica
• Subjetividade como processo (devir)
• Cartografia clínica e clínica da diferença
• Implicações para a atenção psicossocial
4. Metodologia / Estratégias Didáticas
Aula dialogada + metodologias ativas
1. Abertura
- Pergunta disparadora: Com que nos encontramos? Um objeto normalizável ou com a Diferença?
- Perguntas para diálogo:
- Qual a diferença entre narrar uma lembrança e reviver uma vivência?
- Como a clínica pode acessar os múltiplos “eus” de um sujeito?
- Metodologia ativa – Roda de compartilhamento:
Cada estudante compartilha brevemente uma experiência (não clínica, pode ser pessoal) em que uma vivência trouxe novos sentidos para sua vida.
Em seguida, reflexão: como isso se aplica à clínica?
2. Conceitos-chave:
- É um trabalho de cartografia sobre os devires do sujeito, sobre como se constitui outro.
- Como? Abandonar, de partida, o caminho comum que é iniciar um encontro detendo-se sobre o objetivo central da clínica: exame de sinais e sintomas para traçar um diagnóstico.
- Tais preocupações virão a posteriori.
- Centrar-se numa clínica da diferença, com a produção de uma clínica voltada aos problemas reais do cotidiano.
- Conotação fenomenológica: a vivência é um ato psíquico, enquanto vivência de algo, que se dá a partir do curso da consciência intencional.
- Não se confunde com uma ocorrência psíquica, sob o risco de objetificá-la, fixá-la, de recair ou ato de evocar sobre a representação de algo, simples memória que pode ser recuperada enquanto dado.
- Não se trata de algo que passou e eu simplesmente o represento, por meio da fala, como um objeto.
- Evocar algo, significa re-viver, revivenciar, abrir-se para um conjunto de afetos e crenças a serem pesquisados no encontro, que podem recair sobre referências já conhecidas que me identifica a algo, a uma forma ou ato, ou que gera diferença = processo!
- Uma clínica voltada para os problemas reais do cotidiano é uma clínica ancorada nas vivências, nos campos vivenciais do sujeito passíveis de contato, que evocam múltiplos “eus”.
- Campos vivenciais são heterogêneos por natureza.
- O Encontro Clínico se dá por uma cartografia dos múltiplos “eus”: percepções, representações, identidades, imagens, papeis sociais, crenças; emoções e afetividade; sentidos; memórias; relações de identificação e conteúdos inconscientes. Tudo isso vivido em meio as contingências e limitações diante os acontecimentos e situações que vida impõe, que são revividos a partir das narrativas construídas e pelas relações transferenciais constituídas ao longo do processo clínico.
- Tais narrativas e a própria narrativa a ser construída ao longo do processo clínico = produção de territórios subjetivos concretos, geradores de sentidos e produção de desejo, enquanto campo de ação e mobilização das capacidades criativas para a construção da autonomia existencial dos sujeitos.
- Muito diferente de tratar o sujeito como coisa, sintoma a ser ajustado! Requer, por parte do profissional, uma atitude ética-política, que escape do contexto pré-estabelecido de molde subjetivo que o próprio ambiente físico e espaço subjetivo e suas representações emanam podem sobredeterminar as relações de forma a fixar códigos, significantes, identidades, conceitos.
- Exige do profissional a ação de se colocar como intercessor (agir por composição de elementos heterogêneos) para provocar estranhamentos ou produzir potencial de diferença e a experiência da diferença, a partir dos campos vivenciais do sujeito diante dos múltiplos “eus” que o constitui e são mobilizados no Encontro Clínico.
- O trabalho clínico objetiva produzir singularizações por meio dos intercessores (qualquer coisa) que force a diferença no pensamento e nos processos e conteúdos subjetivos.
- Não para referendar algo dado que nos exige encaixe, mas para recriá-lo a partir de novos roteiros e narrativas de si e do mundo por base de um campo de aprendizagem vivencial que ao trabalho clínico inaugura.