A esporotricose felina é uma micose subcutânea de caráter zoonótico emergente no Brasil,
associada principalmente à espécie Sporothrix brasiliensis, com importante impacto na saúde
pública. O presente estudo teve como objetivo investigar os aspectos laboratoriais, clínicos,
epidemiológicos e moleculares de gatos domésticos com suspeita clínica de esporotricose no
município de Teresina, Piauí. Foram avaliados 74 felinos atendidos entre abril de 2024 e novembro
de 2025 por meio de exames clínicos, citologia e cultura micológica. Os isolados confirmados para
esporotricose foram submetidos à caracterização molecular, incluindo PCR espécie-específico e
determinação do mating-type. Do total de animais avaliados, 40,5% foram confirmados para
esporotricose. A citologia apresentou positividade em 100% dos casos confirmados, enquanto a
cultura micológica demonstrou taxa de positividade de 83,3%. Quanto à avaliação epidemiológica,
observou-se predominância de felinos adultos (93,3%), machos não castrados (53,3%), sem raça
definida (100%) e com acesso à rua (100%). A forma clínica mais frequente foi a cutânea fixa
(53,3%), seguida da forma disseminada (43,7%), com lesões predominantes em membros, cabeça e
região cervical. A distribuição espacial revelou concentração absoluta dos casos na zona leste de
Teresina-PI, caracterizando um foco urbano delimitado. A identificação molecular confirmou que
todos os isolados pertenciam à espécie Sporothrix brasiliensis, com detecção exclusiva do mating-
type MAT1-2, indicando baixa variabilidade genética e padrão de dispersão clonal. Os resultados
demonstram que a esporotricose felina em Teresina apresenta perfil epidemiológico, clínico e
molecular semelhante ao observado em outras áreas endêmicas do Brasil, configurando um
problema emergente de saúde animal e pública, que demanda estratégias integradas de vigilância,
controle e prevenção.