A leishmaniose visceral permanece um agravo zoonótico relevante, e estimativas sorológicas em cães podem variar conforme o desempenho dos ensaios diagnósticos. Este estudo teve como objetivo estimar a soroprevalência por ELISA para Leishmania infantum em cães domiciliados incluídos no programa de encoleiramento com deltametrina 4% em Timon e Caxias (Maranhão, Brasil) e comparar os resultados
entre municípios e entre os ensaios (EIE-LVC Bio-Manguinhos/Fiocruz vs ELISA rK28). Para isso, foi conduzido um estudo transversal com cães domiciliados inscritos no programa de encoleiramento com deltametrina 4% em Timon (n = 194) e Caxias (n =211), no qual as amostras de soro foram analisadas pelo ELISA padrão (Bio-Manguinhos/Fiocruz) e por ELISA utilizando a proteína recombinante K28; a soroprevalência foi expressa em n/N (%) e as comparações entre municípios dentro de cada ensaio e entre ensaios dentro de cada município foram realizadas por qui-quadrado (α = 0,05). No ELISA padrão, a soropositividade foi de 19/194 (9,8%) em Timon e 14/211 (6,6%) em Caxias, não havendo diferença entre municípios (χ² = 1,35; p = 0,246); de modo semelhante, no ELISA rK28, a soropositividade foi de 5/194 (2,6%) em Timon e 9/211 (4,3%) em Caxias, também sem diferença entre municípios (χ² =
0,86; p = 0,353). Além disso, na comparação entre ensaios dentro de cada município, observou-se diferença significativa apenas em Timon, com maior positividade no Bio-Manguinhos em relação ao rK28 (χ² = 8,71; p = 0,003), enquanto em Caxias não houve diferença significativa (χ² = 1,15; p = 0,284). Conclui-se, portanto, que não foram detectadas diferenças entre Timon e Caxias em nenhum dos ELISAs; entretanto, em Timon observou-se maior positividade no ELISA padrão em relação ao ELISA rK28, o que sugere uma possibilidade de reação cruzada com outras enfermidades, uma vez que
a proteína recombinante K28 apresenta maior especificidade em relação ao antígeno
bruto utilizado no ELISA padrão.