A austeridade costuma ser apresentada como resposta técnica a déficits e crises orçamentárias. Esta dissertação investiga sua institucionalização como ordem política no Brasil, analisando, entre 1995 e 2026, os mecanismos que tornaram a disciplina fiscal um princípio duradouro de organização estatal e suas afinidades com o ordoliberalismo. A pesquisa, de natureza qualitativa, histórico-institucional e documental, examina quarenta unidades de registro distribuídas em quatro ciclos institucionais, mediante análise de conteúdo e process tracing. Os resultados apontam uma trajetória cumulativa de consolidação da disciplina fiscal, marcada pela restrição da discricionariedade orçamentária, pelo fortalecimento de instâncias técnicas e pelo condicionamento da efetivação dos direitos sociais. Conclui-se que a austeridade ultrapassou o caráter de ajuste conjuntural e passou a ordenar a ação estatal, reduzindo a responsividade democrática e apresentando afinidades estruturais com a racionalidade ordoliberal.