A conservação de forragem na forma de pré-secado é um método híbrido entre a fenação e a ensilagem, podendo ser uma opção aos métodos convencionais de conservação de forragem. A inclusão de aditivos, como a ureia, durante a conservação de forragens pode ser uma alternativa eficaz para manter a qualidade das forragens, e a época de colheita de gramíneas para conservação é um fator que interfere na qualidade final da forragem. O presente projeto teve como objetivo avaliar a qualidade de pré-secados de espécies tropicais (Estilosantes cv. Campo Grande (Stylosanthes capitata e S. macrocephala), Macroptilium lathyroides (L.) Urb. e capim-Tanzânia (Megathyrsus maximum cv. Tanzânia)) com e sem a adição de ureia pecuária a 2% na matéria natural (MN) e de pré-secados de capim-Tanzânia colhidos em diferentes alturas de pastejo, como opção aos métodos convencionais de conservação de forragem. Para isso foram realizados dois ensaios: no primeiro ensaio foi utilizado um delineamento inteiramente casualizado, com seis tratamentos e quatro repetições. Os tratamentos corresponderam das três espécies sem e com a adição de ureia, 2% na MN. No segundo ensaio foi utilizado um delineamento inteiramente casualizado com 4 tratamentos e 5 repetições. Os tratamentos consistiram das diferentes alturas corte (70, 90, 110, 130cm) do capim-Tanzânia. No primeiro ensaio o teor de matéria seca diferiu entre os tratamentos (P < 0,01), com os maiores valores observados no pré-secado de estilosantes sem ureia (43,76%) e com ureia (43,29%). O teor de proteína bruta foi mais elevado no pré-secado de Macroptilium lathyroides com adição de ureia (26,19% da MS). As populações de bactérias ácido-láticas foram maiores (P < 0,01) nos pré-secados de Macroptilium lathyroides e estilosantes tratados com ureia (6,44 e 5,85 log UFC/g, respectivamente). As contagens de bolores foram menores (P < 0,01) no pré-secado de capim-Tanzânia com ureia (2,60 log UFC/g). As enterobactérias apresentaram os menores valores no pré-secado de Macroptilium lathyroides (2,70 log UFC/g). A adição de ureia melhorou o processo fermentativo, reduziu as perdas de matéria seca e contribuiu para o controle do crescimento de mofo nos pré-secados. Para o segundo ensaio a altura de corte do capim promoveu aumento linear da produção de matéria seca de forragem total, da produção de matéria seca de pré-secado por hectare, do índice de área foliar e da interceptação da radiação fotossinteticamente ativa. Em contrapartida, foram observadas reduções na relação lâmina:haste e na proporção de material verde em relação ao material morto. Quanto à composição química dos pré-secados, verificou-se incremento nos teores de matéria seca, matéria mineral, fibra em detergente neutro e fibra em detergente ácido, acompanhado de redução nos teores de proteína bruta, extrato etéreo e carboidratos solúveis totais. O aumento da altura de corte também resultou em maiores perdas fermentativas, maiores concentrações de nitrogênio amoniacal e elevação do pH. No perfil microbiológico, observou-se redução das populações de bactérias ácido-láticas e mofos, enquanto as contagens de enterobactérias aumentaram nas maiores alturas de corte. A utilização de ureia favoreceu a qualidade fermentativa e microbiológica dos pré-secados, reduzindo perdas de matéria seca e o crescimento de mofos. Além disso, a altura de corte influenciou a produtividade, a composição química e o perfil fermentativo do pré-secado de capim-Tanzânia com diferentes alturas de corte. Dessa forma, a adição de ureia e o manejo adequado da altura de corte constituem estratégias eficientes para a produção de pré-secados de espécies forrageiras tropicais.