A hipertensão arterial sistêmica constitui uma das principais condições crônicas acompanhadas na Atenção Primária à Saúde (APS), sendo os itinerários terapêuticos influenciados por fatores individuais, familiares e relacionados à organização dos serviços de saúde. Este estudo teve como objetivo compreender os itinerários terapêuticos de pessoas com hipertensão arterial vinculadas a uma Unidade Básica de Saúde (UBS) do município de Pio IX, Piauí. Trata-se de estudo qualitativo, de caráter descritivo, desenvolvido com participantes recrutados por meio da técnica de amostragem em bola de neve, a partir de agentes comunitários de saúde do território, que atuaram como informantes-chave. Foram entrevistadas quinze pessoas entre junho e julho de 2026, mediante roteiro semiestruturado, complementado pela construção de linhas do tempo do adoecimento. As entrevistas foram transcritas, organizadas no software ATLAS.ti e submetidas à análise temática reflexiva. Os achados evidenciaram que o reconhecimento da hipertensão ocorreu predominantemente no hospital municipal, associado à ocorrência de manifestações agudas, aferições ocasionais da pressão arterial ou eventos sentinela. Em alguns itinerários, o processo de diagnóstico esteve relacionado a experiências de luto e conflitos familiares. Após o diagnóstico, o acompanhamento concentrou-se na UBS, frequentemente referida pelos usuários como “secretaria”, aspecto que pode indicar fragilidades na identificação do serviço como unidade de saúde. Nesse contexto, os agentes comunitários de saúde assumiram papel central na articulação entre os usuários e a equipe de saúde. Foram identificadas barreiras relacionadas à organização do cuidado, incluindo a restrição do atendimento ao turno matutino, a irregularidade na disponibilidade de medicamentos e a necessidade de deslocamento para outros municípios, com custos assumidos pelas próprias famílias. Observou-se, ainda, a utilização de chás concomitantemente ao tratamento farmacológico prescrito. A partir dos achados, foi desenvolvido como produto técnico-tecnológico um fluxograma do itinerário terapêutico, apresentado em versão técnica e versão cidadã, com a finalidade de favorecer a orientação dos usuários e subsidiar a organização do cuidado na rede municipal.