O presente trabalho analisou a qualidade da água em poços tubulares profundos localizados na Zona Leste de Teresina-PI. A coleta de água foi realizada em três campanhas: abril–maio de 2025 (período chuvoso), outubro–novembro de 2025 (período seco) e abril de 2026 (período chuvoso), conforme os critérios da Portaria GM/MS nº 888/2021. As amostras de água foram coletadas diretamente das bombas ou torneiras próximas aos poços, acondicionadas em frascos esterilizados e transportadas em caixa isotérmica com gelo ao laboratório. As análises físico-químicas foram realizadas com medidores multiparâmetros e espectrofotômetro, enquanto a detecção de coliformes utilizou o substrato cromogênico Colilert® (IDEXX). Também foram aplicadas entrevistas aos usuários sobre uso, percepção e hábitos relacionados à água dos poços. Dados ambientais e geoespaciais foram integrados no QGIS para elaboração de cartografias e avaliação da influência de fatores naturais e antrópicos na qualidade da água subterrânea. O pH das amostras variou entre 6,1 e 8,66, com tendência levemente alcalina na seca. A alcalinidade superou 200 mg/L nos poços 4, 7, 9, 10 e 11, enquanto a dureza variou de <30 a 375 mg/L, com maiores valores no Poço 4 (seca: 375 mg/L) e Poço 9 (chuvoso: 317 mg/L). O cobre esteve ausente (0,00 mg/L) e o ferro variou de 0 a 0,64 mg/L, com maior concentração no Poço 5 durante a chuva. A condutividade elétrica atingiu 4.164 µS/cm no Poço 1 (chuva) e 2.317 µS/cm no Poço 4 (seca), acompanhada por SDT de 2.082 mg/L e 1.153 mg/L, respectivamente. O OD variou de 35% a 92,6%, a turbidez ultrapassou 5 NTU no Poço 3 (5,29 NTU), e a cor aparente aumentou na seca nos poços 1 (17 PCU), 7 (18 PCU) e 8 (36 PCU). A amônia variou de 0,02–0,32 mg/L e o nitrato de 0–2,4 mg/L, evidenciando decomposição orgânica e contaminação urbana. Coliformes totais estiveram presentes em 100% das amostras, enquanto Escherichia coli foi detectada em 36,4% na chuva e 0% na seca, indicando possível contaminação fecal pontual e risco à saúde. Em relação às entrevistas, 70% dos usuários consideram os poços profundos, 40% relatam que essas fontes possuem 20–30 anos de uso e 53,3% não identificaram poluição, enquanto 20% apontaram a presença de fossas próximas. A maioria reconhece a importância da análise da água (80%), adota uso consciente (73,3%) e considera a influência do perfil socioeconômico e da urbanização sobre o uso da água (100% e 93,3%). A integração das cartografias com os resultados laboratoriais indicou maior risco de contaminação em poços localizados sobre aquíferos porosos, solos arenosos e próximos a corpos hídricos urbanos. Os resultados evidenciam que a água subterrânea em áreas urbanas densamente ocupadas não é naturalmente pura, sendo influenciada por contaminação microbiológica, urbana e hidrogeoquímica. Recomenda-se manutenção periódica dos poços, melhoria das estruturas de proteção e desinfecção da água antes do consumo. Junto à implementação de um Plano de Segurança da Água (PSA) para a Zona Leste de Teresina-PI, com fiscalização, proteção das áreas de recarga, controle de fossas sépticas, resíduos sólidos e ações de educação ambiental, além de políticas públicas integradas à gestão dos recursos hídricos, sendo essencial para garantir a qualidade da água e reduzir riscos à saúde dos consumidores.