Desde a diáspora, a população negra buscou durante o período do colonialismo, meios de
resistir às diversas formas de violência racista que sofriam, logo, um meio de enfrentamento
às opressões, foi o culto às divindades africanas no território brasileiro, assim, desse modo, se
perpetuou as tradições de matriz africana, estas são responsáveis por resguardar a
ancestralidade negra, através da transmissão dos saberes dos mais velhos, para os mais novos,
os templos sagrados são locais de acolhimento e atuam muito além da realização de rituais
religiosos, são também espaços de resistência e de enfrentamento ao apagamento sistemático
da população mais vulnerável, logo, são quilombos da atual colonialidade. Esta pesquisa,
portanto, busca enfatizar o racismo como uma expressão da questão social que incide sobre
estes corpos e territórios, realizar uma análise acerca das violências que são produzidas contra
os grupos que integram os espaços de terreiro, discutir as categorias, intolerância religiosa e
racismo religioso a partir das circunstâncias em que ambas são citadas em casos de ataques,
abordar esta problemática no âmbito das políticas públicas, considerando as violações de
direitos e acessibilidade destas comunidades às políticas devido ao racismo.