Esta pesquisa tem como objetivo analisar a atuação do Serviço Social no contexto escolar do
município de Timon (MA), enfocando as expressões da questão social atravessadas pela
interseccionalidade entre raça, gênero e classe. Considerando que o racismo, o patriarcado e o
capitalismo constituem sistemas estruturais que criam desigualdades sociais, a pesquisa adota
a teoria da interseccionalidade de Crenshaw (2002) como referencial teórico-metodológico
para compreender as múltiplas opressões que se manifestam no ambiente escolar e que
impactam o cotidiano dos estudantes, sobretudo meninas negras das escolas públicas. A
presença do assistente social no ambiente escolar, assegurada pela Lei no 13.935/2019, representa um avanço no reconhecimento das demandas sociais que atravessam as instituições
educacionais. No entanto, apesar de sua importância, a inserção destes profissionais ainda é
desigual, já que em alguns municípios, como Teresina apresentam uma estrutura mais
organizada por meio dos Núcleos de Assistência ao Educando (NAE), enquanto Timon
encontra-se em fase inicial de implementação, com atuação limitada e associada a projetos
pontuais. A metodologia da pesquisa combina revisão bibliográfica atualizada, com foco em
produções acadêmicas recentes (2020–2025), e pesquisa de campo com entrevistas
semiestruturadas junto a assistentes sociais, professores e tutores de escolas municipais dos
anos iniciais do ensino fundamental, atendendo alunos de 6 a 12 anos. A análise qualitativa
dos dados busca identificar se e como o Serviço Social considera as manifestações da questão
social de raça, gênero e classe nas demandas cotidianas escolares e se sua intervenção está
orientada por uma perspectiva interseccional. Este estudo se justifica diante da necessidade de
compreender os limites e potencialidades da atuação do Serviço Social nas escolas, especialmente para fortalecer práticas que enfrentem as desigualdades estruturais brasileiras e
contribuam para uma educação pública mais equitativa e inclusiva. Ademais, o projeto
ressalta a importância de incorporar a interseccionalidade como categoria analítica e prática
profissional, uma abordagem ainda pouco adotada no campo do Serviço Social na escola. Espera-se que os resultados subsidiem políticas públicas educacionais que valorizem a
presença permanente e estruturada dos assistentes sociais nas instituições de ensino, contribuindo para o reconhecimento do papel transformador desses profissionais no combate
às opressões racistas, patriarcais e capitalistas que permeiam a realidade dos estudantes. A
pesquisa também pretende estimular novos debates e investigações sobre a interface entre
Serviço Social, educação e interseccionalidade, fortalecendo uma atuação crítica, ética e
comprometida com a justiça social no ambiente escolar.