Como assistente social que atua e pesquisa a Política Pública de Assistência Social, parto da compreensão de que analisá-la na contemporaneidade exige situá-la no interior do sistema de proteção social brasileira e suas formas contraditórias de estratégia estatal de enfrentamento das expressões da questão social e manutenção do status quo.
Estruturada sob a lógica de um sistema público, o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), a Assistência Social inscreve-se no movimento histórico das políticas sociais brasileiras em um Estado que se refuncionaliza sob as determinações do capitalismo, sendo permanentemente atravessada por disputas entre projetos societários.
Nesse movimento histórico (do Estado no capitalismo), na conjuntura recente brasileira, marcada por processos de recomposição estatal sob forte influência ultraneoliberal e neoconservadora e por restrições fiscais, especialmente no período de 2016-20221, conforme conjectura Araújo (2024,p. 71), como um “marco histórico de retrocesso, caracterizado pelo acirramento do desmonte das políticas de Seguridade Social e, por conseguinte, pelos efeitos sobre a classe trabalhadoar”, onde onde ocorreram impactos substantivos nas condições de materialização das políticas sociais, de modo particular, sobre a Assistência Social, em seu financiamento e funcionamento, repercutindo fortemente no cotidiano dos serviços, programas, projetos e benefícios socioassistenciais.