As cidades pequenas brasileiras são frequentemente caracterizadas por infraestrutura limitada, papéis urbanos pouco expressivos e carência de serviços essenciais. No entanto, possuem singularidades e dinâmicas próprias que as tornam fundamentais para a compreensão do espaço urbano nacional. Apesar disso, o ensino sobre cidades pequenas na Geografia escolar ainda é marcado por ausências e estigmas, sendo comum a valorização exclusiva das cidades grandes e metrópoles. Nesse cenário, esta pesquisa parte da necessidade de integrar as cidades pequenas ao ensino de Geografia por meio de propostas pedagógicas significativas e que façam uso de ferramentas tecnológicas, tal como a Realidade Virtual (RV), considerada tecnologia multissensorial baseada em sistemas multimídia, capaz de criar ambientes imersivos e interativos que favorecem o aprendizado de conteúdos relativos a cidade, ensinados no componente curricular geografia. A proposta se concretizou através do uso do Google Cardboard Glasses plataforma acessível de RV criada em 2014 que, por meio do uso de smartphones e óculos de papelão, ofereceu experiências imersivas de baixo custo, viáveis mesmo em contextos escolares com infraestrutura limitada e com pouco ou nenhum acesso a internet. Diante disso, a questão norteadora desta pesquisa é: quais são as contribuições didático-pedagógicas do uso da realidade virtual com Google Cardboard Glasses para o ensino de conteúdos geográficos sobre cidades pequenas no 9º ano do ensino fundamental? Com o intuito de responder a essa problemática, o objetivo geral do estudo é analisar as contribuições didático-pedagógicas do uso da RV para o ensino de conteúdos geográficos sobre cidades pequenas. Os objetivos específicos são: (i) conhecer o potencial didático da RV no ensino de Geografia, com ênfase no uso do Google Cardboard Glasses; (ii) identificar os conceitos de cidade e cidade pequena a partir da literatura geográfica; (iii) aplicar uma oficina didática sobre cidades pequenas, articulando o uso da RV aos conteúdos da BNCC e aos princípios do raciocínio geográfico; e (iv) apontar os indícios de aprendizagem observados durante a oficina didática. A pesquisa foi desenvolvida por meio de uma abordagem qualitativa, de natureza exploratória e com delineamento em estudo de caso, envolvendo uma turma com 30 estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental da Unidade Escolar Mariinha Andrade e Silva, localizada na cidade de Nossa Senhora de Nazaré – PI. A oficina foi composta por três etapas: introdução conceitual, confecção colaborativa dos óculos e exploração de vídeos e fotos em 360°, seguida por roda de conversa orientada. as informações foram registrados por meio de observações e diário de campo e analisadas segundo a técnica de Análise de Conteúdo (Bardin, 2011), à luz da teoria histórico-cultural de Vygotsky (2000). Os resultados demonstraram que a RV potencializa o interesse e a participação discente, contribui para a valorização do território vivido e amplia a compreensão das cidades pequenas, promovendo aprendizagens significativas e contextualizadas. A tecnologia, quando mediada pedagogicamente, revelou-se uma ferramenta potente para aproximar o ensino de Geografia da realidade dos estudantes e fortalecer a articulação entre o espaço vivido e os conteúdos escolares.