Esta pesquisa tem como objetivo analisar a Educação do Campo a partir da formação continuada de professores de Geografia no município de Barras (PI), examinando como escola, currículo e docência se articulam aos saberes do campo e como políticas públicas — ou sua ausência — produzem contradições que afetam comunidades rurais, seus biomas e povos tradicionais. Parte-se da hipótese de que o fechamento e a nucleação de escolas, com o transporte de estudantes para a zona urbana, configuram violação de direitos, rompem vínculos territoriais e impactam a aprendizagem, exigindo processos formativos que fortaleçam a identidade camponesa e um projeto emancipatório de desenvolvimento para o campo. As questões norteadoras da pesquisa são: (i) que formação continuada de professores(as) de Geografia é requerida pelo paradigma da Educação do Campo em Barras? (ii) como concebê-la no próprio território, sem transposição acrítica de modelos urbanos, valorizando memória, história, produção e cultura locais? Os objetivos que norteiam o trabalho de pesquisa são: a) Compreender formação continuada de professores da geografia na educação do campo nos anos finais do ensino fundamental no município de Barras (PI); b) Analisar como a formação continuada de professores de geografia está relacionada às questões e contradições da Educação do Campo ofertada no município de Barras-Piauí; c) Identificar como a formação continuada de professores da Geografia se articulam com os saberes da educação do campo; d) Descrever as políticas municipais educacionais que a orientam. Metodologicamente, trata-se de estudo qualitativo, de abordagem narrativa biográfica, com produção de dados por meio de Cartas Pedagógicas (inspiradas em Paulo Freire) junto a docentes em exercício nas escolas rurais. Espera-se gerar evidências para publicizar o problema e, nesse sentido subsidiar decisões e políticas públicas de acordo com os pressupostos da Educação do Campo.