A energia, em suas mais diversas formas, sempre representou um elemento fundamental para o desenvolvimento da humanidade. Com o advento da sociedade capitalista pós-industrial, a demanda energética aumentou de maneira significativa, o que, consequentemente, desencadeou uma série de impactos ambientais, entre os quais se destaca a emissão de gases de efeito estufa na atmosfera, dada a dependência da indústria em relação às chamadas fontes de energia não renováveis, como o petróleo e seus derivados. Diante desses impactos amplamente conhecidos, emergiu a necessidade de repensar o modelo de produção capitalista, culminando na Conferência de Estocolmo, em 1972, a qual cunhou o conceito de sustentabilidade. No tocante à produção e geração de energia, a sustentabilidade se configura por meio do uso de energias renováveis, que se referem a fontes mais abundantes e menos nocivas ao meio ambiente. Nesse sentido, o presente trabalho tem como objetivo geral analisar a(s) forma(s), função(ões), estrutura(s) e processo(s) associados à transição energética no espaço urbano de Teresina. Adotou-se o método dialético, cujo roteiro metodológico pautou-se na revisão bibliográfica e documental; na elaboração de gráficos, tabelas e mapas; e, por fim, na realização de trabalho de campo. Com base na análise do histórico da sustentabilidade e da geração de energia, esta pesquisa examinou a atuação dos agentes espaciais envolvidos na transição energética, bem como as formas, a estrutura e os processos espaciais por eles engendrados. Especificamente, o estudo buscou investigar a espacialização da energia solar fotovoltaica no perímetro urbano de Teresina, viabilizada por meio da Geração Distribuída (GD) da matriz solar fotovoltaica. Nesse contexto, questionou-se o alcance efetivo da chamada sustentabilidade energética urbana na capital piauiense, considerando o predomínio de interesses econômicos nas ações dos agentes envolvidos, em detrimento das dimensões ambiental e social, frequentemente secundarizadas. Buscou-se, ainda, verificar se as formas e os processos espaciais derivados da implantação das Unidades Fotovoltaicas, no âmbito da GD, têm se sobreposto ao ordenamento urbano preexistente, promovendo transformações na paisagem e na dinâmica territorial da cidade. Assim, o estudo propôs uma reflexão sobre os limites e contradições da sustentabilidade energética urbana, ressaltando a necessidade de um planejamento territorial comprometido com a equidade socioambiental. Constatou-se, nesse sentido, que a crescente presença de lojas especializadas em energia solar tem se incorporado ao tecido urbano previamente estabelecido, introduzindo uma nova vertente comercial vinculada ao mercado da chamada “sustentabilidade” energética urbana. Diante desse panorama, concluiu-se que, ao analisar os agentes atuantes, bem como os processos e as formas espaciais resultantes de suas ações, evidencia-se que, embora o discurso da sustentabilidade esteja amplamente presente, sua materialização ocorre, em grande medida, sob lógicas mercadológicas, cujos impactos frequentemente negligenciam aspectos socioambientais essenciais.