Esta pesquisa parte do entendimento de que a formação docente para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) apresenta lacunas teórico-metodológicas, escassez de experiências formativas sistematizadas e pela hegemonia de uma concepção instrumental do ensino, frequentemente orientada a práticas adaptativas em detrimento de uma perspectiva emancipadora de formação humana. Inscrito nesse cenário, o estudo problematiza: como se desenvolve a significação da Atividade Orientadora de Ensino (AOE) por licenciandos de Pedagogia durante o estágio na EJA, como mediação da formação da consciência pedagógica voltada para a formação humana? Defendemos a tese de que a significação da AOE por licenciandos de Pedagogia em estágios na EJA, ao gerar contradições na atividade pedagógica que realizam, contribui para formação de motivos da atividade de ensino potencializadora da formação de consciência pedagógica emancipadora. O objetivo consistiu em investigar como licenciandos de Pedagogia significam a AOE durante o estágio na EJA como mediação da formação da consciência pedagógica voltada para a formação humana. A investigação, vinculada à Linha de Pesquisa Formação Humana e Processos Educativos do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Piauí (PPGEd/UFPI), desenvolveu-se como pesquisa-formação de natureza onto-crítica, fundamentada no Materialismo Histórico-Dialético, na Teoria Histórico-Cultural, na Teoria da Atividade e mobilização dos princípios mediadores da Atividade Orientadora de Ensino. Materializou-se por meio de um Experimento Didático-Formativo (EDF), realizado em Curso Formativo de Extensão, com a participação de nove licenciandos do curso de Pedagogia da Universidade Estadual do Piauí (UESPI), em estágio obrigatório na EJA, anos iniciais, classes multisseriadas, em duas escolas da rede pública municipal de Teresina-PI. Os resultados evidenciam que a AOE foi significada como mediação onto-reflexiva da formação docente, instituindo-se como instrumento de apropriação de conceitos teórico-científicos e de objetivação da formação humana. Ao universalizar-se na práxis pedagógica, possibilitou a reorientação dos motivos da atividade, a transformação dos sentidos pessoais atribuídos ao ensino e o fortalecimento da consciência pedagógica. Esse movimento expressa indícios de entrada em atividade, na qual os motivos passam a orientar-se progressivamente pelo objeto do ensino, ampliando a intencionalidade educativa e o potencial transformador do trabalho docente como expressão singular da consciência social, ainda que de modo desigual, contraditório e historicamente inacabado.