Este estudo tem como tema o processo de construção da identidade profissional docente de professoras dos anos iniciais do Ensino Fundamental. O problema que norteou a investigação foi: como as professoras percebem a construção da identidade profissional docente pelas práticas formativas experienciadas nos anos iniciais do Ensino Fundamental? Como objetivo geral, definiu-se: compreender como as professoras percebem a construção da identidade profissional docente pelas práticas formativas experienciadas nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Como objetivos específicos, buscou-se: analisar as concepções de identidade profissional docente construídas pelas professoras nos anos iniciais do Ensino Fundamental; descrever as práticas formativas experienciadas pelas professoras na construção da identidade profissional docente nos anos iniciais do Ensino Fundamental; e caracterizar as percepções das professoras na construção da identidade profissional docente nos anos iniciais do Ensino Fundamental. O aporte teórico fundamenta-se no diálogo entre a teoria da identidade como invenção de si (Kaufmann, 2004), a noção de um pensar autêntico (Heidegger, 2009, 2018), a experiência do vivido como prática formativa (Larrosa, 2019, 2025), articuladas à ideia de percepção encarnada (Merleau-Ponty, 1999) e de docência como ato perceptivo (Freire, 1996), entre outros autores. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter descritivo, ancorada na epistemologia fenomenológica (Husserl, 1989; Zilles, 1996; Zitkoski, 1994; Merleau-Ponty, 1999, Heidegger, 2009). Como procedimentos metodológicos, utilizou-se o método das narrativas para o alcance da percepção, sendo os dados obtidos por meio da entrevista narrativa, cuja análise seguiu as orientações de Schütze (2011, 2014). A pesquisa foi realizada na Unidade Escolar Mãe do Bom Conselho, pertencente à Rede Municipal de Ensino de São João da Fronteira (PI), selecionada pela singularidade histórica ligada à própria identidade e emancipação do município. Participaram do estudo seis professoras, com as quais foi aplicado um questionário misto destinado à construção do perfil biográfico profissional, contemplando dados pessoais, formação e experiência docente. Os resultados revelaram, a partir das narrativas das professoras pesquisadas, que a identidade profissional docente é uma construção subjetiva e contínua, produzida nas experiências vividas da docência. Evidenciaram, ainda, que a condução no/pelo estudo é o signo primordial que sustenta a singularidade dessa identidade, manifestando-se no modo de ser professora-cuidadosa-metodológica, tecido no entrelaçamento entre o rigor metodológico e a sensibilidade estética. As narrativas também mostraram que a docência transcende a simples transmissão de conteúdo, constituindo-se como um ato amoroso de ser estudioso/a. Os achados do estudo suscitam novas reflexões acerca da identidade profissional docente de professores/as dos anos iniciais do Ensino Fundamental, contribuindo para a valorização social desses/as profissionais. Conclui-se que a identidade profissional docente não se reduz à formação técnica ou ao exercício funcional da profissão, mas constitui um processo contínuo de invenção de si, marcado pela experiência, pela reflexão e pelo compromisso ético-político de preservar a escola como espaço-tempo de formação. Nesse movimento, o/a professor/a (re)significa o experienciado na docência em possiblidades de renovação projetiva, fazendo da prática formativa docente um ato de amor ao conhecimento, de resistência e de presentificação autêntica do sujeito no contexto educacional.