Esta tese analisa o processo de municipalização das creches estaduais e comunitárias em Teresina-PI, com o objetivo de compreender as decisões políticas e os arranjos institucionais que impulsionaram a ampliação do atendimento em creches públicas no município. Trata-se de pesquisa qualitativa, de caráter exploratório, desenvolvida por meio de estudo de caso, com base em entrevistas semiestruturadas, análise documental e dados do Censo Escolar. O referencial analítico adotado foi o ciclo de políticas públicas. Os resultados evidenciam que a municipalização das creches em Teresina decorreu da articulação entre pressão social, exigências legais, atuação de órgãos de controle e negociações intergovernamentais e intersetoriais. No caso das creches estaduais, o processo envolveu acordos de transição entre Estado e município; no das creches comunitárias, respondeu à precariedade institucional, à informalidade dos vínculos de trabalho e à necessidade de integração dessas unidades ao sistema educacional. Conclui-se que a ampliação da oferta de creches em Teresina não pode ser explicada apenas pela disponibilidade financeira, mas pela capacidade de articulação política e institucional do poder público local na condução da municipalização como política pública.