A organização do ensino de Matemática continua sendo um desafio central na formação de pedagogos(as), especialmente diante da predominância de práticas mecânicas que desvinculam o conhecimento de sua essência humana. Diante dessa problemática, o presente estudo tem como objeto de investigação o letramento matemático, tendo como delimitação a AOE no contexto da atividade pedagógica de pedagogas que ensinam matemática nos anos iniciais do ensino fundamental. O objetivo geral consistiu em analisar as possibilidades de desenvolvimento do letramento matemático a partir da vivência com a AOE. Para alcançá-lo, os objetivos específicos buscaram: a) caracterizar a atividade pedagógica das docentes para reconhecer suas necessidades formativas; b) criar condições para a vivência de situações desencadeadoras de aprendizagem (SDA) mediadas pela AOE; e c) analisar as significações produzidas pelas participantes sobre as potencialidades desse princípio metodológico. A pesquisa fundamenta-se nos pressupostos da Teoria Histórico-Cultural, da Teoria da Atividade e nos princípios da AOE. Metodologicamente, trata-se de um estudo de natureza explicativa ancorado no Método Genético-Explicativo de Vygotsky, voltado à compreensão da gênese e do desenvolvimento dos fenômenos. O campo empírico compreendeu professoras da rede pública municipal de ensino da cidade de União, Piauí, licenciadas em Pedagogia e que atuavam no ensino de Matemática nos 1º e 2º anos do Ensino Fundamental, e a produção de dados ocorreu por meio de encontros formativos e entrevistas reflexivas. A análise dos dados foi realizada através da Análise em Unidades, articulada à organização em episódios, em que buscou-se compreender o fenômeno em suas múltiplas determinações. Os resultados evidenciaram que a relação das pedagogas com a Matemática foi historicamente marcada por traumas e lacunas conceituais, resultando em uma visão da disciplina como algo difícil e sem sentido pessoal. Contudo, a vivência formativa demonstrou que a AOE atua como uma mediação fundamental, permitindo ao professor reorganizar intencionalmente o ensino. Conclui-se que esse movimento converte a aprendizagem mecânica em um processo de letramento matemático humanizador, com possibilidades para promover o desenvolvimento do pensamento teórico-científico.