A presente pesquisa parte do reconhecimento das múltiplas opressões sofridas pelas mulheres em suas diversidades ao habitarem os espaços futebolísticos na Colômbia e na América Latina. Das esferas profissionais às esferas formativas, amadoras e de lazer, a ocupação de quadras e estádios por mulheres tem sido historicamente uma prática deslegitimada devido aos estereótipos que naturalizam sua exclusão do futebol. Longe de ser ideias do passado, de maneira paralela as conquistas das mulheres dentro desta prática esportiva, permanecem disputas discursivas, simbólicas e materiais pelo que devem ou não fazer com seus corpos. Nesse sentido, são necessárias as pesquisas que permitam aprofundar nas experiências das mulheres nos espaços futebolísticos, dando visibilidade às condições nas quais a pratica tem sido desenvolvida, assim como reconhecer os diversos sentidos de si que as mulheres produzem ao jogar futebol. O campo educativo oferece um olhar indispensável ao tratar o futebol como um artefato pedagógico extraescolar que através de seu enorme impacto sociocultural no cotidiano, nos ensina formas legitimas de mover o corpo, segundo marcadores sociais como o gênero em seu caráter interseccional. Assim, aprofundar nas experiências in situ das mulheres no futebol e visibilizar os processos de aprendizagem que acontecem dentro das quadras permite questionar os mandatos naturalizados pela mídia no futebol espetáculo e profissional. Nessa direção, a presente pesquisa procura analisar as aprendizagens corpo-territoriais de mulheres jovens na equipe de futebol Futboleras de Chía-Colômbia e a forma em que geram deslocamentos nas relações de gênero hegemônicas do território. A pesquisa é guiada por um referencial teórico que inclui autoras como Butler (2006, 2007), hooks (2017, 2020), Viveros (2016, 2023), Segato (2013, 2018), Cruz-Hernández e Bayon (2020), Gago (2019), Bossle (2023), Ardila (2023), Kastrup e Passos (2009, 2014). A metodologia adotada é a cartografia, uma abordagem qualitativa que utiliza o acompanhamento de processos e a criação de dispositivos em oficinas para explorar com maior profundidade as subjetividades das pessoas participantes, seus conhecimentos e experiências.