A avaliação do reprocessamento mecânico de polímeros reciclados é fundamental para compreender os efeitos da degradação termo-mecânica sobre a estrutura e o desempenho dos materiais. Neste estudo, filamentos produzidos a partir de polipropileno (PP) reciclado foram obtidos por extrusão sucessiva em diferentes ciclos de processamento (1×, 5× e 10×), com o objetivo de investigar as alterações estruturais e morfológicas induzidas pelo reprocessamento. As amostras foram caracterizadas por espectroscopia no infravermelho por transformada de Fourier (FTIR) e microscopia eletrônica de varredura (MEV), permitindo correlacionar possíveis modificações químicas e morfológicas decorrentes do histórico de processamento. Os espectros de FTIR das amostras processadas apresentaram as bandas características do polipropileno, incluindo vibrações associadas aos grupos metila e às ligações C–H da cadeia principal. De modo geral, não foram observadas mudanças significativas na posição das bandas principais, indicando que a estrutura química básica do polímero foi preservada ao longo dos ciclos de extrusão. Entretanto, verificou-se uma tendência de aumento discreto na intensidade relativa de bandas associadas a grupos carbonila e hidroxila nas amostras submetidas a maiores números de reprocessamentos, sugerindo a ocorrência de processos de oxidação induzidos pelo calor e cisalhamento durante a extrusão repetida. A análise morfológica por MEV revelou alterações progressivas na superfície dos filamentos com o aumento do número de ciclos de extrusão. Enquanto o material processado uma única vez apresentou superfície relativamente homogênea e contínua, os filamentos obtidos após cinco e dez ciclos exibiram maior rugosidade superficial, presença de microdefeitos e pequenas descontinuidades estruturais. Esses aspectos morfológicos indicam que o reprocessamento sucessivo pode promover degradação da cadeia polimérica, redução da massa molar e alterações no comportamento reológico do material, refletindo-se na qualidade superficial dos filamentos extrudados. De forma geral, os resultados demonstram que o PP reciclado mantém sua estrutura química principal mesmo após múltiplos ciclos de extrusão, embora ocorram sinais progressivos de degradação oxidativa e mudanças morfológicas superficiais. Esses achados contribuem para a compreensão da estabilidade do polipropileno reciclado em processos de reprocessamento múltiplo, fornecendo subsídios para a otimização de estratégias de reciclagem mecânica e para o desenvolvimento de filamentos reciclados com desempenho adequado em aplicações industriais e de manufatura aditiva.