As chalconas são compostos amplamente estudados por suas diversas propriedades farmacológicas, incluindo atividades anti-inflamatória, antioxidante e antitumoral. Esta classe de moléculas desperta interesse devido à facilidade de modificação estrutural, capaz de influenciar suas atividades biológicas. Estudos anteriores conduzidos por nosso grupo de pesquisa demonstraram que a chalcona hidroxilada sintética CH-A3 apresenta potencial citotóxico em linhagens de células cancerosas, com destaque para o carcinoma oral de células escamosas (SCC4). O presente estudo teve como objetivo avaliar os efeitos mutagênicos, antimutagênicos, carcinogênicos e anticarcinogênicos da CH-A3 no modelo experimental de Drosophila melanogaster, utilizando o Teste de Mutação e Recombinação Somática (SMART) e o Teste de Detecção de Clones de Tumores Epiteliais (ETT). Foram utilizadas linhagens mutantes portadoras dos marcadores genéticos multiple wing hairs (mwh), flare (flr³) e warts (wts). No teste SMART, os cruzamentos incluíram o padrão (ST) e o de alta bioativação (HB), este último com elevada expressão de enzimas do citocromo P450, mimetizando o metabolismo de mamíferos. As larvas foram tratadas com concentrações de 8, 20 e 40 µg/mL da CH-A3, isoladamente ou associadas à doxorrubicina (DXR). Os resultados indicaram que a atividade mutagênica da CH-A3 é dependente do contexto metabólico: observou-se mutagenicidade em baixa concentração (8 µg/mL) no cruzamento ST, efeito que foi eliminado no cruzamento HB, sugerindo que a metabolização via citocromo P450 detoxifica o composto. A CH-A3 não apresentou atividade antimutagênica frente à DXR no teste SMART, demonstrando co-mutagenicidade no cruzamento ST. Entretanto, no teste ETT, foi utilizado o cruzamento portadores dos marcadores genéticos multiple wing hairs (mwh) e warts (wts/TM3, Sb¹) e a CH-A3 não induziu carcinogenicidade e demonstrou potente atividade anticarcinogênica, reduzindo significativamente a frequência de tumores induzidos pela DXR, com maior eficácia na concentração de 20 µg/mL. Conclui-se que a CH-A3 apresenta segurança genética em sistemas metabolicamente competentes e possui potencial promissor como agente quimiopreventivo ou adjuvante, capaz de inibir a carcinogênese induzida por quimioterápicos.