Como avaliar os impactos ambientais de longo prazo do consumo de eletricidade para resfriamento em edificações, considerando simultaneamente: mudanças climáticas progressivas, evolução da matriz elétrica nacional sob diferentes cenários políticos, e variabilidade de soluções construtivas? Esta tese desenvolve e aplica uma metodologia prospectiva de Avaliação Dinâmica do Ciclo de Vida (ADCV), que integra cinco componentes principais: Simulação paramétrica automatizada (EnergyPlus™) para geração de cenários construtivos variando envoltória e padrões operacionais; Projeções climáticas por regressão linear para temperatura mensal considerando aquecimento global até 2065; Modelo híbrido de matriz elétrica para projetar diferentes configurações de fontes energéticas baseadas em tendências históricas e cenários políticos; Rede Neural Artificial (RNA) para predição de consumo energético anual alimentada por temperaturas futuras (R²=0,997); e Inventário e avaliação dinâmicos para cálculo anual do impacto ambiental. A técnica TOPSIS para Tomada de Decisão Multicritério (TDMC) foi empregada para identificar soluções construtivas que equilibram desempenho térmico e energético. Os resultados indicam que: o consumo de energia para resfriamento aumenta 14% entre 2015 e 2065 devido ao aquecimento global; habitações de interesse social brasileiras convencionais são inadequadas para climas quentes, apresentando alta variabilidade térmica; a evolução da matriz elétrica modifica substancialmente os impactos (cenários renováveis os atenuam em até 20%, enquanto a manutenção de fontes fósseis anula ganhos de eficiência); e as soluções construtivas otimizadas reduzem, simultaneamente, consumo e impactos ambientais. A contribuição original deste estudo foi o desenvolvimento de uma metodologia inovadora de ADCV, que permite quantificar como decisões de projeto tomadas hoje e políticas energéticas futuras determinam a sustentabilidade de edificações ao longo de sua vida útil. Não há edifício sustentável em matriz elétrica insustentável, pois a eficiência energética predial deve ser acompanhada de transição energética nacional coerente. Para habitações sociais brasileiras, a escolha de soluções construtivas adequadas ao clima tropical e políticas que acelerem a renovação da matriz são complementares e interdependentes.