A modernização da agricultura resultou na adoção de práticas agrícolas com a finalidade de expandir a produção de alimentos. No entanto, muitas delas, como os agrotóxicos, trazem prejuízos ao ambiente e a saúde da população. Uma forma de minimizar esses danos é utilizando o conhecimento tradicional, dentre eles, o uso de plantas no controle de insetos infestantes. Entretanto, devido a necessidade de respostas rápidas, muitos agricultores têm resistência a esse tipo de manejo. Diante dessa problemática, objetivou-se verificar a influência da modernização da agricultura na memória e seleção de plantas inseticidas no assentamento Val Paraíso e na comunidade rural São José no município de Tianguá-CE. Realizou-se um levantamento bibliográfico para verificar as pesquisas que estão sendo realizadas na temática abordada. A busca resultou em 53 documentos no Google Acadêmico, entre os anos de 2012 e 2022. A partir da leitura desses trabalhos, observou-se um maior número de publicações no continente africano, seguido pelo asiático, onde o ano de 2018 destacou-se com um maior número de publicações. Azadirachta indica A. Juss., Nicotiana tabacun L., Eucalyptus globulus Labill. e Melia azedarach L. foram as espécies botânicas mais citadas no controle de insetos na agricultura entre os trabalhos encontrados. Em seguida, foram realizadas entrevistas semiestruturadas, aplicação de lista livre e metodologia participativa, com a construção do Quadro do Gerenciamento do Conhecimento Tradicional. O Índice de Fidelidade em associação com o Ranqueamento de Ordem Prioritária, Índice de Importância Cultural e o Quiquadrado foram utilizados como ferramentas quantitativas. Dentre os 40 agricultores da comunidade São José, apenas 12 fazem uso das plantas inseticidas. No Assentamento Val Paraíso, dos 47 entrevistados, apenas 16 fazem uso dos vegetais no controle de insetos infestantes. O nim (A. indica ) foi a de maior consenso entre os agricultores da comunidade São José para o controle do pulgão, e no assentamento Val Paraíso a pimenta-de-cheiro (Capsicum chinense Jacq.) foi a de maior concordância para o mesmo inseto. Em ambas as comunidades o nim destacou-se como prioridade de ordenamento. Não houve relação entre conhecimento de plantas inseticidas e escolaridade na comunidade São José, enquanto no assentamento Val Paraíso essa relação foi significativa. Não houve relação entre renda e uso de agrotóxicos na comunidade São José, no entanto, essa relação foi significativa no assentamento Val Paraíso. A metodologia participativa foi utilizada com o objetivo de gerenciar o conhecimento tradicional, onde foi construído um quadro do gerenciamento do conhecimento tradicional. Foram identificadas as vias de transmição do conhecimento tradicional e os critérios de seleção de plantas inseticidas, onde 42,5% dos agricultores da comunidade São José relataram que copiam a informação de amigos por critério de familiaridade, sendo a via horizontal a mais utilizada. No assentamento Val Paraíso 55% dos informantes acessam o conhecimento a partir de representantes das empresas, ou seja, pela via oblíqua, pelo critério de prestígio. Diante do exposto, conclui-se que a modernização agrícola influencia nos critérios de seleção de métodos de controle na comunidade São José e assentamento Val Paraíso.