O Orçamento Participativo (OP) é um mecanismo importante para a democratização da governança pública. No entanto, a incorporação efetiva da sustentabilidade em seus processos enfrenta desafios, e a literatura aponta uma lacuna na compreensão de como o discurso – enquanto prática social que constrói significados e (re)produz relações de poder – influencia essa integração. A compreensão de como a sustentabilidade é discursivamente tratada no Orçamento Participativo (OP) é frequentemente comprometida por jargões orçamentários, instrumentalização política e desigualdades informacionais. Este estudo objetiva analisar, por meio da Análise Crítica do Discurso (ACD), como a sustentabilidade é discursivamente construída, negociada, legitimada ou marginalizada no Orçamento Participativo do Piauí (OPA Piauí) nos ciclos 2023-2025. Busca-se, além disso, elucidar de que forma essas dinâmicas discursivas interagem com relações de poder, impactam a alocação de recursos públicos e configuram a participação social voltada à responsabilidade socioambiental. A metodologia é qualitativa, de natureza interpretativista, utilizando o modelo tridimensional da ACD de Fairclough como principal ferramenta analítica. Conduziu-se um estudo de caso do OPA Piauí, abrangendo os ciclos orçamentários 2023/2024 e 2024/2025. O corpus de análise incluiu documentos oficiais, registros de processos participativos, materiais de comunicação e de websites institucionais. Espera-se identificar os discursos hegemônicos e contra-hegemônicos sobre sustentabilidade, analisar sua influência nas estruturas de poder e na destinação de recursos, e revelar convergências ou dissonâncias entre as narrativas e as práticas orçamentárias. Os resultados visam contribuir para o aprimoramento teórico-prático da governança participativa e da agenda da sustentabilidade, fornecendo insumos para que o OP se torne um instrumento mais eficaz na promoção de políticas públicas socioambientalmente justas e alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.