O dióxido de carbono é um dos principais gases causadores de efeito estufa, sendo a mudança no uso da terra uma de suas principais fontes de produção. Os esforços de pesquisa sobre o manejo do carbono (C) do solo em terras agrícolas nas últimas décadas buscaram melhorar nossa compreensão para aumentar a produtividade do solo, o estoque de carbono do solo e consequentemente mitigar os efeitos das mudanças climáticas. O cultivo intensivo do melão é baseado em modelos convencionais de produção em monocultivos, que associado ao manejo inadequado podem utilizar de forma ineficiente os recursos naturais, contribuindo para alterações climáticas. Desse modo, é importante estimular o uso de tecnologias integradas, como o uso de misturas de plantas para cultivo de cobertura e sistemas de preparo do solo, que promovam melhorias na sua qualidade e no ambiente, e aliadas a essas tecnologias de produção agrícola que promovem uma agricultura sustentável, podem receber validação, o uso de metodologias e modelos matemáticos, como a avaliação do ciclo de vida (ACV) e o RothC, que vem se destacando por traçar estratégias para reduzir os processos de degradação ambiental.Com esse estudo, objetiva-se determinar a pegada de carbono em diferentes agroecossistemas no cultivo de meloeiro usando os modelos de análise do ciclo de vida e RothC. O estudo foi conduzido no Campo Experimental Bebedouro da Embrapa Semiárido, Petrolina-PE em área cultivada com melão amarelo, cv. Gladial, foram considerados 8 ciclos de cultivo (2012-2019). O delineamento experimental foi composto por dois sistemas de manejo de solo (com e sem revolvimento), três tipos de tratamentos utilizando mistura de plantas, composta por 14 espécies com diferentes proporções de leguminosas, gramíneas e oleaginosas e quatro repetições que foram divididos em blocos casualizados. Após 70 dias de desenvolvimento foram cortadas e depositadas no solo. Dados de temperatura e precipitação foram adquiridos dos modelos climáticos BCC CSM, MIROC5, CESM1-BGC, IPSL CM5B LR e HADGEM2-AO, seguindo os cenários climáticos RCP 4.5 e RCP 8.5. O estoque de carbono futuro foi estimado até o ano de 2071 usando o modelo RothC. A avaliação do ciclo de vida avaliará os impactos ambientais de ambos os sistemas, considerando a produção e o transporte de insumos agrícolas (energia, fertilizantes, pesticidas, plástico, papel e combustível), bem como toda a produção de melão. As categorias de impacto avaliadas serão, mudanças climáticas, acidificação do solo, eutrofização da água doce e marinha, esgotamento da água, toxicidade humana (câncer e não câncer) e ecotoxicidade. A análise de cenários será aplicada para avaliar os impactos sob diferentes condições projetadas para transporte, embalagem e fertilização com nitrogênio. Os resultados já obtidos nos mostram que o tratamento com predominância de leguminosas e sem revolvimento aumentou o estoque de C no solo independentemente do cenário climático. O revolvimento do solo não favoreceu o acúmulo de C, fazendo com que nenhum dos tratamentos alcançasse o mesmo estoque que a Caatinga. No cenário RCP 4.5 o modelo MIROC5 favoreceu o maior acúmulo de C no solo; já os menores estoques de C ocorreram nos modelos CESM1-BGC e IPSL CM5B LR sob o cenário RCP 8.5. Quando se trata da avaliação de C por camada, nota-se que a camada de 0-5 cm foi mais sensível a mudanças no manejo do solo, aumentando os estoques de C nos tratamentos sem revolvimento. Enquanto as demais camadas apresentaram diferença apenas no sexto ano avaliado. Esses resultados nos possibilitam entender como as práticas de manejo atuais podem reduzir o estoque de carbono do solo, nascendo a necessidade de intervenções e estratégias, como o cultivo de misturas de plantas associada ao manejo sem revolvimento, para melhorar a qualidade dos solos agrícolas.