A constipação atinge de 10% a 20% da população adulta mundial, sendo o tipo funcional um dos mais comuns. No contexto da relação sensório-motora do trato gastrointestinal, a fisioterapia pélvica atua na avaliação e tratamento dos músculos do assoalho pélvico (MAPs). A ultrassonografia cinesiológica transperineal (UST) destaca-se como uma ferramenta de baixo custo e minimamente invasiva, embora pouco explorada na coloproctologia. Este estudo teve como objetivo analisar e comparar a mobilidade dos MAPs de voluntários constipados e saudáveis por meio da UST. O estudo incluiu participantes de 18 a 45 anos, hígidos e com sintomas de constipação que foram divididos em dois grupos. Foram aplicados questionários de avaliação da constipação, qualidade de vida (PAC-QOL) e caracterização sociodemográfica. Os dados foram processados no SPSS 21.0 (Shapiro-Wilk, Mann-Whitney e Spearman, adotando significância de p < 0,05). Foram incluídos 42 participantes (média de 23,47 ± 2,39 anos). Embora 71,4% tenha sido classificada como não constipada inicialmente, o Índice de Gravidade da Constipação identificou 9,5% da amostra com sinais de gravidade, e a Escala de Bristol indicou trânsito lento em 19%. A qualidade de vida (PAC-QOL), foi significativamente pior nos constipados (p = 0,044), especialmente no domínio “Satisfação” (2,05 ± 1,49). Também verificouse uma correlação positiva moderada entre a gravidade clínica da constipação e o prejuízo no bem-estar (p = 0,455; p = 0,002). Na avaliação por UST, não houve diferenças significativas entre grupos ou gêneros quanto ao deslocamento dos pontos P1 a P5 ou ângulo basal (p > 0,05), sugerindo homogeneidade morfológica. Contudo, observou-se correlação positiva moderada e significativa entre o ângulo anorretal basal e o escore global do PAC-QOL (p = 0,641; p < 0,001). Conclui-se que a constipação nessa faixa etária parece não estar ligada a alterações anatômicas macroscópicas, mas a variações na angulação anorretal, possivelmente indicando hipotonia ou descida perineal.