INTRODUÇÃO: A Doença de Chagas consiste em uma doença parasitária
transmitida pelo protozoário Trypanosoma cruzi, o qual está presente nas dejeções
liberadas pelo triatomíneo após a picada. Esta doença no Brasil, com importância
em saúde pública, atinge majoritariamente a população mais pobre, além de que
sem tratamento efetivo possui consequências e complicações, evoluindo da fase
aguda para crônica. OBJETIVO: Analisar o perfil de morbimortalidade da Doença de
Chagas no estado do Maranhão entre o período de 2013 a 2022. MÉTODOS:
Estudo descritivo e com abordagem quantitativa. A coleta dos dados foi no
Departamento de Informação do SUS, sendo selecionado o Sistema de Informação
e Agravos de Notificação e Sistema de Informação de Mortalidade. empregaram-se
testes de associação: o qui-quadrado de Pearson e o teste exato de Fisher. Adotou-
se nível de significância de 5% (α = 0,05). RESULTADOS: Foram registrados 44
casos de doença de chagas aguda no estado do Maranhão entre 2013 e 2022, com
maior número de casos em 2018 (56,8%), entre faixa etária de 20 e 39 anos
(38,6%), do sexo masculino (52,3%) embora com quantitativos absolutos
aproximados, cor parda (54,5%), modo de provável infecção oral (77,3%) e local
provável de infecção domiciliar (63,6%). Os registros dos 72 óbitos concentraram-se
em indivíduos adultos de 40 a 59 anos (25,0%) e idosos de 65 a 79 anos (45,8%),
de cor parda (65,3%), sem nenhuma escolaridade (37,5%) e estado civil casado
(44,4%). CONCLUSÃO: Conclui-se que os dados apresentados expressam as
desigualdades sociais, aliados a exposição e condições risco e barreira no acesso a
medidas de saúde eficientes. O tipo de transmissão oral predominante, aliada a
proximidade do vetor ao ser humanos e animais domésticos representa um risco
para a reemergência da doença. Ademais, os dados de morbimortalidade
apresentados neste estudo indicam que apesar de poucos casos notificados, a
mortalidade permanece relevante, reforçando gravidade da doença quando não
tratada precocemente e, principalmente, a evolução negativa, pois foram
evidenciados anos que não houve registros de casos ou poucos notificados, porém
com registros de óbitos.