Esta tese trata da filosofia de Walter Benjamin propondo uma interpretação para o conceito de mito, bem como de sua ruptura a partir da crítica benjaminiana da realidade. A tese central é que uma das formas possíveis de ler a obra de Benjamin se dá na contraposição entre os domínios do mito e da teologia. Desta maneira, mobilizamos os primeiros escritos de Benjamin, delimitando nossa pesquisa entre os anos de 1910 à 1926 e explorando as consequências que os pensamentos dessa época tiveram sobre as futuras produções do filósofo, as da década de 30. Tendo estabelecido, acompanhamos como essa contraposição foi sendo colocada na obra e como ela culmina na necessidade revolucionária de superação do tempo mítico, pois o mito se constitui, como posto no decorrer do trabalho, como diagnóstico histórico-filosófico-político do tempo e como ele gesta negativamente a promessa de redenção. Tendo esse direcionamento em frente, procuramos mobilizar a fortuna crítica para compreensão de nossa proposta e como ela se diferencia das produções atuais. Desta feita, objetivamos demonstrar como a contradição articulada pela teologia pode fazer frente às formas míticas de existência: o tempo, o espaço e a mera vida no homem. É partir da descrição do mito onde podemos nos lançar nas sendas teológicas de Benjamin e seu judaísmo disruptivo. Nesse sentido, retomando a discussão sobre o estatuto da teologia no pensamento benjaminiano, chegamos às fontes da mística judaica e como ela se relaciona com o pensamento de nosso autor. Ademais, procuramos articular a teologia negativa como fundamento do método de crítica imanente de Walter Benjamin. Esperamos contribuir para o debate necessário de uma política revolucionária de caráter participativo intermitente no reconhecimento da dissolução das formas míticas que se apresentam como naturais. É essa última visão que procuramos destruir, para abrir o espaço de jogo necessário que aponte para uma outra política aberta e ininterrupta que concretize a felicidade no atendimento das necessidades da criação.