Esta pesquisa analisa o Projeto de Vida no contexto do Novo Ensino Médio a partir da perspectiva de Michel Foucault, buscando compreender como as práticas pedagógicas e os discursos educacionais contemporâneos participam da produção de subjetividades e das relações de poder no espaço escolar. Parte-se da compreensão de que a escola não se restringe à transmissão de conhecimentos, constituindo-se como uma instituição que organiza comportamentos, regula condutas e produz modos de existência por meio de dispositivos pedagógicos, currículos, avaliações e práticas de normalização. Nesse cenário, a pesquisa problematiza os discursos de inovação, protagonismo, autonomia e flexibilização curricular presentes nas recentes reformas educacionais, especialmente no Novo Ensino Médio, questionando em que medida essas propostas ampliam a liberdade dos estudantes ou reforçam novas formas de controle e responsabilização individual. O Projeto de Vida é compreendido como um dispositivo que mobiliza tecnologias de si, conduzindo os estudantes à autogestão de suas trajetórias e à internalização de normas relacionadas ao desempenho, ao empreendedorismo de si e ao sucesso pessoal. A investigação fundamenta-se nas contribuições de Foucault sobre disciplina, governamentalidade, subjetivação, tecnologias de si e parresía, dialogando também com autores como Christian Laval, Pierre Dardot, Giorgio Agamben e Furio Jesi para analisar a influência da racionalidade neoliberal sobre as políticas educacionais. Como objeto empírico, o estudo concentra-se nas práticas pedagógicas desenvolvidas nas aulas de Filosofia do 1º ano do Ensino Médio, buscando compreender como metodologias, avaliações e discursos docentes contribuem tanto para a formação do pensamento crítico quanto para a reprodução de relações de poder. A pesquisa pretende evidenciar que a escola contemporânea constitui um espaço de disputas entre processos de emancipação e mecanismos de regulação, oferecendo informações para a reflexão sobre práticas pedagógicas que favoreçam a problematização das relações de poder, a constituição ética dos sujeitos e as experiências educativas comprometidas com a reflexão crítica.