A disponibilidade de água é um fator determinante para o desempenho fisiológico e o comportamento alimentar de insetos criados em sistemas controlados, sendo tradicionalmente fornecida por fontes vegetais frescas, que apresentam limitações operacionais e sanitárias. Neste estudo, avaliou-se o uso de hidrogéis à base de goma de mandioca, puros e funcionalizados com exúvia de insetos e Moringa oleifera, como fontes alternativas de umidade para larvas de Tenebrio molitor e Zophobas morio. O experimento foi conduzido em duas etapas: (i) comparação entre fontes convencionais de umidade (melão, palma, cenoura e chuchu) e hidrogel, e (ii) avaliação de diferentes formulações de hidrogéis funcionalizados. Foram analisados consumo, ganho de peso e sobrevivência ao longo de 2, 4 e 6 semanas, além de ensaios comportamentais com e sem chance de escolha. Os resultados demonstraram que todas as fontes atenderam às demandas hídricas, porém com efeitos diferenciados sobre o desempenho larval. Fontes vegetais, especialmente melão e chuchu, apresentaram maior consumo e atratividade, enquanto os hidrogéis promoveram fornecimento mais estável de água. T. molitor apresentou maior plasticidade no consumo ao longo do desenvolvimento, enquanto Z. morio exibiu padrão mais estável. As análises multivariadas indicaram associação entre consumo e crescimento, com evidência de trade-offs em relação à sobrevivência. A funcionalização dos hidrogéis com exúvia e M. oleifera aumentou o valor nutricional do sistema e influenciou o comportamento alimentar. Conclui-se que hidrogéis funcionalizados à base de goma de mandioca constituem uma alternativa promissora para o fornecimento controlado de umidade, integrando hidratação e nutrição em sistemas de criação. Esses resultados contribuem para o desenvolvimento de estratégias mais eficientes e sustentáveis na entomocultura, com potencial aplicação em sistemas produtivos de larga escala.