Introdução: A violência constitui um grave problema de saúde pública, caracterizado por grandes desafios em seu enfrentamento. As repercussões da violência no trabalho em saúde são amplas e multifacetadas, expressando-se por meio de manifestações psicossomáticas, psicopatológicas e comportamentais que comprometem as atividades laborais e a qualidade de vida dos trabalhadores. Objetivo: Analisar a violência no trabalho e suas repercussões psicoemocionais em trabalhadores da saúde de um hospital público de grande porte. Método: Estudo de método misto sequencial explanatório, desenvolvido em hospital público de grande porte do Distrito Federal. A etapa quantitativa foi realizada entre outubro de 2024 e março de 2025 com 252 profissionais de saúde, utilizando instrumentos para rastreamento da violência no trabalho, transtornos psíquicos menores e burnout. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva, inferencial e regressão logística binária. Na etapa qualitativa, realizada entre setembro de 2025 e fevereiro de 2026, participaram profissionais expostos à violência e com repercussões à saúde mental. Os dados foram obtidos por entrevistas semiestruturadas, processados no software IraMuTeQ, por meio da Classificação Hierárquica Descendente, possibilitando a identificação de classes lexicais posteriormente agrupadas em três categorias analíticas. Os dados foram interpretados segundo a análise de conteúdo de Bardin, sustentada pelo referencial teórico-filosófico do cotidiano de Michel de Certeau. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Piauí sob parecer 7.155.701. Resultados: Observou-se predominância da violência psicológica e do assédio moral no cotidiano laboral dos profissionais de saúde, especialmente entre enfermeiros, associadas a fatores organizacionais, reconhecimento profissional e condições de saúde e de trabalho. A exposição à violência esteve associada à ocorrência de transtornos psíquicos menores e a dimensões da síndrome de burnout, sobretudo exaustão emocional e despersonalização. O reconhecimento profissional apresentou efeito protetor frente ao desenvolvimento de agravos psicoemocionais relacionados ao trabalho. Na etapa qualitativa, evidenciaram-se repercussões psicoemocionais importantes, impactos nas relações de trabalho e na prática assistencial, além da mobilização de táticas individuais de enfrentamento diante da insuficiência das estratégias institucionais de proteção aos trabalhadores. Conclusão: A violência no trabalho em saúde resulta da interação entre relações interpessoais, condições laborais e fragilidades institucionais, produzindo repercussões significativas para a saúde mental dos trabalhadores. Evidenciou-se a necessidade de fortalecimento de políticas organizacionais voltadas à prevenção da violência, valorização profissional e promoção de ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis.