Introdução: O absenteísmo-doença na enfermagem constitui um fenômeno global, multifatorial e indicador crítico da saúde ocupacional, demandando análise a robustas diante das complexas interações e cargas de trabalho impostas pelo mundo contemporâneas. Compreender seus preditores sociodemográficos, organizacionais e laborais permite que instituições estruturem intervenções sustentáveis, eficazes e baseadas em evidências para subsidiar o desenvolvimento de modelos preditivos, assim como assegurar o dimensionamento adequado, garantir a sustentabilidade da força de trabalho e promover o bem-estar dos trabalhadores. Objetivo: Analisar a prevalência e os fatores associados ao absenteísmo-doença entre os enfermeiros atuantes no contexto hospitalar. Método: Estudo observacional, transversal e retrospectivo, realizado em um hospital universitário federal do nordeste brasileiro. A amostra por conveniência totalizou 155 enfermeiros. Foram analisados dados secundários de registros de saúde ocupacional no período de 2021 a 2023. Utilizou-se um formaulário para coleta de dados sociodemográficos, organizacionais e laborais. A análise estatística incluiu os testes Qui-quadrado, Exato de Fisher e Regressão Logística Multinomial, considerando o intervalo de confiança de 95%. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Piauí. A participação foi voluntária e condicionada a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Resultados: Este estudo analisou 4.679 eventos. A prevalência global de absenteísmo-doença de 29,94%. A dinâmica temporal evidenciou uma concentração estatisticamente significativa em 2022 (35,1%; p<0,001). O perfil predominante foi de mulheres (91,7%), sob regime de 36 horas semanais e atuantes na divisão de enfermagem. O absenteísmo associou-se ao envelhecimento (média de 41,17 anos) e ao maior tempo de atuação profissional (p<0,001). As causas respiratórias lideraram (23% em 2023), seguidas por doenças infecciosas, que tiveram maior prevalência em 2022. Transtornos mentais e do sistema nervoso apresentaram crescimento progressivo em 2023. A análise multivariada revelou que o sexo masculino possui uma prevalência 84% menor de afastamentos osteomusculares comparado ao feminino (RP: 0,16). Ainda, o maior número de dependentes atuou como fator protetor contra o absenteísmo (p<0,01). Ainda, que o ano de 2023 registrou um aumento crítico de notificações ilegíveis ou inexistentes (11,4%), sinalizando uma precarização na gestão da vigilância ocupacional. Conclusão: O absenteísmo-doença é um fenômeno dinâmico, complexo e multifatorial. A vulnerabilidade feminina e o desgaste por tempo de atuação destacaram-se, enquanto o número de dependentes atua atuou como fator protetor. Apesar da fragilidade nos registros institucionais, os resultados demonstram a necessidade de políticas integradas de saúde ocupacional. Ainda, que a sustentabilidade assistencial e a segurança do paciente podem se beneficiar de modelos preditivos e intervenções estruturais que transcendam priorizem ambientes laborais saudáveis e a valorização estratégica da equipe de enfermagem.