Introdução: A úlcera do pé diabético é uma das complicações mais graves do Diabetes Mellitus tipo 2, associada à elevada morbimortalidade, amputações e piora da qualidade de vida. Nesse contexto, os aplicativos móveis têm sido utilizados como estratégia complementar para fortalecer o autocuidado e favorecer o monitoramento contínuo das pessoas com diabetes. Objetivo: Sintetizar as evidências sobre a eficácia do uso de aplicativos na prevenção de úlcera do pé diabético em pessoas com Diabetes tipo 2. Método: Trata-se de uma revisão sistemática conduzida conforme o Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses, com protocolo registrado no International prospective register of systematic reviews (CRD42024519310). A busca foi realizada nas bases de dados PubMed/MEDLINE, Web of Science, Scopus, Embase e LILACS, complementada por pesquisa manual nas listas de referências dos estudos incluídos. Foram selecionados ensaios clínicos randomizados e estudos quase experimentais que avaliaram intervenções baseadas em aplicativos direcionadas à prevenção de úlcera do pé diabético em adultos com Diabetes tipo 2. A seleção dos estudos, a extração dos dados e avaliação metodológica foram conduzidas por dois revisores independentes. O risco de viés foi avaliado pelas ferramentas Revised Cochrane Risk-of-Bias Tool for Randomized Trials e o Risk Of Bias In Non-Randomized Studies - of Interventions, conforme o delineamento dos estudos. A qualidade metodológica foi examinada mediante um instrumento composto por critérios relacionados ao relato, rigor, credibilidade e relevância das pesquisas. Resultados: A revisão incluiu sete estudos, publicados entre 2020 e 2026, totalizando 576 participantes. Predominaram ensaios clínicos randomizados desenvolvidos em países asiáticos, com períodos de acompanhamento entre quatro semanas e 12 meses. Os aplicativos incorporaram diferentes funcionalidades, como conteúdos educativos, vídeos, lembretes automatizados, monitoramento remoto, autoavaliação dos pés, comunicação com profissionais de saúde e estratégias fundamentadas em teorias de mudança de comportamento e autogerenciamento. As intervenções resultaram em melhora do conhecimento sobre o pé diabético, da autoeficácia, da adesão às práticas de autocuidado e da frequência de inspeção dos pés. Quanto aos desfechos clínicos, os resultados mostraram-se heterogêneos: alguns estudos evidenciaram redução da hemoglobina glicada e melhora das condições dos pés, enquanto outros não identificaram diferenças significativas na incidência de úlceras ou nos parâmetros glicêmicos. A avaliação metodológica revelou predomínio de estudos com alto risco de viés, sobretudo em decorrência de perdas de seguimento, desvios das intervenções propostas e seleção dos resultados relatados. Apesar dessas limitações, os estudos apresentam contribuições relevantes para a prática clínica. Conclusão: Os aplicativos móveis são estratégias promissoras para fortalecer o autocuidado e os comportamentos preventivos em pessoas com Diabetes Mellitus tipo 2. Entretanto, as evidências sobre sua efetividade na prevenção primária da úlcera do pé diabético ainda são incipientes, reforçando a necessidade de ensaios clínicos com maior rigor metodológico e seguimento prolongado.