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Banca de DEFESA: ANA FLÁVIA BARBOSA MATOS

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: ANA FLÁVIA BARBOSA MATOS
DATA: 01/04/2026
HORA: 16:00
LOCAL: Sala de aula PPGO UFPI - Híbrido
TÍTULO: Introdução de açúcar na dieta da criança durante o primeiro ano de vida e fatores associados: um estudo de coorte
PALAVRAS-CHAVES: Criança; Açúcares; Alimentação Infantil; Açúcares da Dieta; Aleitamento Materno; Estudos de Coortes.
PÁGINAS: 92
GRANDE ÁREA: Ciências da Saúde
ÁREA: Odontologia
RESUMO:

RESUMO:

Introdução: A ingestão precoce e excessiva de açúcar adicionado a dieta nos primeiros anos de vida é fator etiológico ou de agravamento para doenças crônicas. Objetivo: Avaliar a introdução de açúcar adicionado na dieta da criança durante o primeiro ano de vida e identificar fatores associados. Metodologia: Coorte de nascimento, de base populacional, com crianças nascidas em maternidades públicas e privadas de Teresina, Brasil. Dados maternos, familiares e dos bebês foram coletados por entrevistas no pós-parto. O consumo de açúcar foi avaliado aos três, seis e 12 meses de idade por questionário de frequência alimentar e método recordatório de 24 horas, além de perguntas sobre amamentação. Foram realizadas análises descritivas, testes qui-quadro de Pearson, Exato de Fisher e regressão de Poisson com variância robusta (p<0,05). Resultados: Participaram deste estudo 709 díades na linha de base, das quais 606 apresentaram respostas válidas para a análise. A exposição ao açúcar aumentou durante o primeiro ano de vida, sendo 42,4% aos três meses, 77% aos seis meses e 92% aos 12 meses, com exposição geral de 97,5%. Aos três meses de vida, a fórmula infantil foi o item mais consumido (38,6%), sendo mais frequente o consumo de quatro vezes ou mais ao dia (16,1%). Aos seis meses, observou-se aumento no número e na frequência de consumo de itens açucarados, com predomínio de fórmula infantil (59,3%), mingau adoçado (37,4%), suco natural com açúcar adicionado (20,4%), iogurte adoçado (16%) e pão (13,7%). Aos 12 meses, todos os itens açucarados listados foram consumidos pelo menos uma vez no dia, com maiores frequências de consumo para mingau com açúcar adicionado (65,2%), suco natural de frutas com açúcar adicionado (44,2%), bolachas salgadas (49%), pão (49%), bolachas doces (43,2) e iogurte (43%). A ingestão de açúcar apresentou maior prevalência entre crianças que utilizavam mamadeira aos três meses de vida (p<0,001) e entre aquelas que tiveram aleitamento materno exclusivo com duração inferior a seis meses (p<0,001). Crianças cujas mães realizaram acompanhamento particular/plano de saúde (RP= 3,78; IC95%= 1,35–11,14), nascidas de parto vaginal (RP= 3,36; IC95%= 1,97–9,92) e amamentadas exclusivamente por seis meses ou mais (RP= 17,07; IC95% = 3,66–249,98) apresentaram maior prevalência de não ingerir açúcar no primeiro ano de vida. Conclusão: A introdução de açúcar adicionado ocorre precocemente e apresenta elevada prevalência no primeiro ano de vida. Crianças cujas mães realizaram acompanhamento de saúde particular ou por plano de saúde, nascidas de parto vaginal e amamentadas exclusivamente por seis meses ou mais apresentaram maior prevalência de não ingerir açúcar no primeiro ano de vida.

ABSTRACT:

Introduction: Early and excessive intake of added sugar in the diet during the first years of life is an etiological or aggravating factor for chronic diseases. Objective: To evaluate the introduction of added sugar into the child's diet during the first year of life and to identify associated factors. Methodology: Population-based birth cohort study of children born in public and private maternity hospitals in Teresina, Brazil. Maternal, family, and infant data were collected through postpartum interviews. Sugar consumption was assessed at three, six, and twelve months of age using a food frequency questionnaire and a 24-hour recall method, in addition to questions about breastfeeding. Descriptive analyses, Pearson's chi-square test, Fisher's exact test, and Poisson regression with robust variance (p<0.05) were performed. Results: 709 dyads participated in this study at baseline, of which 606 provided valid responses for analysis. Sugar exposure increased during the first year of life, being 42.4% at three months, 77% at six months, and 92% at 12 months, with an overall exposure of 97.5%. At three months of age, infant formula was the most consumed item (38.6%), with consumption being four or more times a day (16.1%). At six months, an increase was observed in the number and frequency of consumption of sugary items, with a predominance of infant formula (59.3%), sweetened porridge (37.4%), natural juice with added sugar (20.4%), sweetened yogurt (16%), and bread (13.7%). At 12 months, all listed sugary items were consumed at least once a day, with higher consumption frequencies for porridge with added sugar (65.2%), natural fruit juice with added sugar (44.2%), savory crackers (49%), bread (49%), sweet crackers (43.2%), and yogurt (43%). Sugar intake was more prevalent among children who used bottles at three months of age (p<0.001) and among those who were exclusively breastfed for less than six months (p<0.001). Children whose mothers received private/health insurance prenatal care (PR= 3.78; 95% CI= 1.35–11.14), born vaginally (PR= 3.36; 95% CI= 1.97–9.92), and exclusively breastfed for six months or more (PR= 17.07; 95% CI = 3.66–249.98) had a higher prevalence of not consuming sugar in the first year of life. Conclusion: The introduction of added sugar occurs early and has a high prevalence in the first year of life. Children whose mothers received private or health insurance-covered healthcare, were born vaginally, and were exclusively breastfed for six months or more had a higher prevalence of not consuming added sugar in the first year of life.

KEY-WORDS: Child; Sugars; Infant Feeding; Dietary Sugars; Breast Feeding; Cohort Studies.

PRESS RELEASE PARA PUBLICAÇÃO EM JORNAL DE CIRCULAÇÃO:

 AS CRIANÇAS DE TERESINA CONSOMEM ALIMENTOS COM AÇÚCAR NO PRIMEIRO ANO DE VIDA?

As mais importantes organizações de saúde do mundo e Brasil - Organização Mundial da Saúde, Associação Americana do Coração, Associação Internacional de Odontopediatria e Academia Brasileira de Odontologia recomendam a não oferecer açúcar para crianças antes dos dois anos de idade. A ingestão precoce de açúcar aumenta o risco de doenças crônicas não transmissíveis, como obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e cárie dentária. A cárie dentária é a doença mais comum na infância e a introdução precoce de açúcar no primeiro ano de vida está associada à sua presença nas idades subsequentes.

Com base nessa perspectiva, pesquisadoras do Programa de Pós-Graduação em Odontologia da Universidade Federal do Piauí desenvolveram pesquisa com 709 mãe/bebês residentes em Teresina, Piauí, que tiveram bebês entre setembro de 2024 e janeiro de 2025, em maternidades públicas e privadas para avaliar a época de introdução de alimentos contendo açúcar na dieta do bebê. Aos três, seis e 12 meses de vida da criança, foram coletadas informações sobre as práticas alimentares e a ingestão de açúcar, respondidos pelas mães por meio de ligações telefônicas ou aplicativo de mensagens. O questionário incluía itens específicos contendo açúcar adicionado, como chá adoçado, composto lácteo, fórmula infantil, mingau com açúcar, suco natural de frutas com açúcar adicionado, iogurte (Danoninho®/Chambinho®/outro), biscoitos, bolo entre outros alimentos consumidos pelos bebês.

As pesquisadoras observaram que a introdução de açúcar adicionado ocorre precocemente e apresenta elevada prevalência no primeiro ano de vida. A exposição aumentou ao longo desse período, sendo 42,4% aos três meses, 77% aos seis meses e 92% aos 12 meses, com exposição geral de 97,5%. Aos três meses, o item mais frequentemente consumido foi a fórmula infantil, ingerida quatro vezes ou mais ao dia, a qual pode conter açúcar adicionado, a depender da marca, resultando em exposição mesmo na ausência de intenção materna. Aos seis meses, observou-se maior diversidade de alimentos doces consumidos, com maior frequência para fórmula infantil, seguida de mingau (Neston®, Farinha láctea®, Mucilon®), suco natural de frutas com adição de açúcar durante o preparo, iogurte adoçado e pão. Aos 12 meses, todos os itens investigados foram consumidos pelo menos uma vez pelas crianças. Assim, quase a totalidade das crianças avaliadas foi exposta ao açúcar, seja por consumo intencional ou não intencional. Destaca-se a importância de observar os rótulos para verificar a composição de alimentos industrializados, como fórmulas e produtos infantis, que podem conter açúcar adicionado, mesmo quando não percebido, favorecendo escolhas alimentares mais saudáveis desde os primeiros meses de vida.

É importante destacar que os bebês que foram amamentados exclusivamente por seis meses ou mais apresentaram menor prevalência de ingerir açúcar no primeiro ano de vida. Além disso, crianças deste estudo cujas mães realizaram acompanhamento de saúde na rede privada ou por plano de saúde, nascidas de parto vaginal também tiveram menor prevalência de não ingestão de açúcar no primeiro ano de vida. A partir desses dados é importante destacar a necessidade de implantação de políticas públicas de saúde para o desenvolvimento de estratégias para a promoção de práticas alimentares saudáveis nos primeiros anos de vida, incluindo intervenções educativas e a reformulação de alimentos infantis quanto ao teor de açúcar.

 

PROJETO DE PESQUISA AO QUAL O PROJETO ESTÁ VINCULADO


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1301059 - MARCOELI SILVA DE MOURA
Externo à Instituição - 195.***.***-66 - MARIANA MINATEL BRAGA FRAGA - USP
Interno - 1790736 - MARINA DE DEUS MOURA DE LIMA
Externo à Instituição - 066.***.***-40 - YURI WANDERLEY CAVALCANTI - UFPB
Notícia cadastrada em: 20/03/2026 12:14
SIGAA | Superintendência de Tecnologia da Informação - STI/UFPI - (86) 3215-1124 | © UFRN | sigjb03.ufpi.br.instancia1 01/04/2026 02:37