A presente tese tem como objetivo analisar a trajetória profissional e social de professoras de Canto Orfeônico em Teresina-Piauí, no recorte temporal entre 1948 e 1965. Busca-se responder, sob o prisma da História da Educação, como se deram os processos de formação e atuação dessas mulheres. A pesquisa examina a formação, as práticas docentes, as redes de sociabilidades e a produção intelectual das educadoras Ester Couto, Adalgisa Paiva e Silva, Ernestina de Moura Leal, Clóris Oliveira, Maria Augusta Soares da Silva Bastos, além das irmãs Maria Teresinha de Jesus Caddah e Maria Yêda Caddah. Metodologicamente, a investigação ancora-se na análise de um corpus documental que abarca fontes diversas, tais como: registros das práticas escolares, escritas biografias e autobiográficas, fontes hemerográficas e depoimentos orais. O aporte teórico mobiliza conceitos da História Cultural, na perspectiva de Chartier (1990) e Burke (2005). Mobiliza-se os conceitos de habitus e capital cultural Pierre Bourdieu (1989) e Lahire (2006); e os estudos sobre redes de intelectuais de Sirinelli (2003) e Orlando (2020). Defende-se a tese que esse grupo de professoras constituíram uma rede de intelectuais mediadoras fundamental para a consolidação do canto orfeônico no Piauí (1948-1965), que se articularam, realizaram alianças nos âmbitos políticos e religiosos, instruíram gerações e ocuparam lugares privilegiados no cenário pedagógico e social da cidade.