Esta pesquisa de mestrado objetiva analisar como as mães negras cuidam da maternidade e da vida acadêmica na universidade pública. Especificamente, objetiva-se compreender a maternidade como território de resistência de mães negras na vida acadêmica, destacando suas potencialidades e seus saberes; identificar os problemas que as mães negras atravessam no percurso da vida acadêmica e entender como as mães negras cuidam dos filhos e da vida acadêmica. Esta pesquisa sustenta-se em bases teóricas a partir Scott (1995), Louro (1997), Saffioti (2015), Scavone (2004), Moraes (2021), Baia (2021), Davis (2016), Gonzalez (2020), Carneiro (2023), Oyěwùmí (2016, 2025); Oliveira (2018); Hooks (2021, 2024), Collins e Bilge (2021), dentre outras leituras que tratam do tema da maternidade e dos dispositivos legais. Numa abordagem qualitativa-interventiva, faz uso da Cartografia (Kastrup; Passos; Escóssi,2009), mapeando o percurso de mães negras na universidade pública. A produção de dados foi realizada por meio de oficinas inspirada na filosofia africana Ondjango (Felipe, 2025) com o uso da técnica “Fotografias dos afetos: experiências de mães negras na academia” utilizando-se dos instrumentos de pesquisa: diário de itinerância, entrevista semiestruturada, fotografia, questionário e observação. A pesquisa ainda está em fase de desenvolvimento e análise, apontando algumas pistas nas narrativas dessas mulheres: ausência de mães negras na pós-graduação, configurando-se uma exclusão de seus corpos; na dificuldade de conciliar vida acadêmica e maternidade, essas mães criam táticas de resistência performando um caráter transversal de suas atividades que traduzem saberes no cuidado do outro, embora o tempo para o cuidado de si, geralmente é negado; essas mulheres expressam uma força motriz em suas potencialidades reveladas na luta diária para aliarem maternidade e vida acadêmica.