Este estudo investiga a anodização eletroquímica da liga β-Ti-35Nb-5Ta como estratégia para aprimorar sua compatibilidade mecânica, funcionalidade superficial e estabilidade eletroquímica em implantes biomédicos. A liga, produzida por fusão a arco, forjamento a quente e tratamento de solubilização a 900 °C, apresentou microestrutura monofásica β com grãos equiaxiais grosseiros, conforme confirmado por DRX, MO e MEV, enquanto análises por EDS e FRX validaram a composição nominal em concordância com simulações termodinâmicas (Mo(eq) = 10,9). A anodização em solução de HF a 0,3%, sob 20 V por 1 hora, resultou na formação de nanotubos de TiO₂ (TNTs) auto-organizados com morfologia uniforme, forte adesão e distribuição dependente da orientação dos grãos. As análises superficiais evidenciaram tendências consistentes de aprimoramento funcional, incluindo aumento da rugosidade e adesão, melhoria da resposta nanomecânica com maior rigidez superficial e superior resistência à corrosão e passividade em fluido corporal simulado. As caracterizações por AFM condutiva e microscopia de força Kelvin demonstraram maior atividade elétrica e elevação da função trabalho nas regiões anodizadas, atribuídas ao papel sinérgico de Nb e Ta na modulação de vacâncias de Ti e O e na estabilização da química de defeitos. De forma integrada, os resultados confirmam que a anodização eletroquímica constitui uma rota robusta e escalável para o desenvolvimento de implantes metálicos à base de β-Ti com propriedades mecânicas, elétricas e biológicas ajustáveis, destacando-se como abordagem promissora para a próxima geração de dispositivos biomédicos.