A presente tese trata de uma análise do mito cosmogônico grego escrito por Hesíodo e do sagrado à luz da razão poética da filósofa Maria Zambrano. Para esta pesquisa, faremos um percurso bibliográfico nas obras da filósofa para compreendermos o conceito de razão poética. O trabalho apresenta considerações sobre o princípio de todas as coisas ou o caos primordial sagrado e como este pode ser aprofundado como razão poética através do pensamento da filósofa Maria Zambrano. O objetivo principal deste projeto é analisar como o mito cosmogônico grego de Hesíodo pode ser pensado na perspectiva da razão poética da filósofa María Zambrano, considerando o conceito de sagrado da filósofa. O trabalho pretende analisar o processo da transformação do sagrado em divino, tendo como elemento propulsor, o domínio do pensamento racional que acarretou a perda da relação do ser humano com o sagrado, sobretudo na modernidade. Como problema da pesquisa buscaremos resolver de que maneira o mito cosmogônico grego, tendo o caos como o sagrado original, pode ser pensado numa perspectiva da razão poética diferente do discurso do pensamento ocidental, sobretudo de como o pensamento racional se cristalizou ao longo da história. Como hipótese, temos que o conceito da razão poética de Maria Zambrano sustenta o pensamento de que existe o sagrado na cosmogonia grega, pois o princípio de todas as coisas é o caos, o sagrado primordial, que originou deuses e humanos, considerando que os primeiros são manifestados quando o sagrado é desoculto. A metodologia utilizada nesta pesquisa é bibliográfica. Nossa perspectiva teórica se fundará em análises das obras bibliográficas da autora e filósofa Maria Zambrano, tendo como suporte de maior peso, sua obra O homem e o divino, que aborda em profundidade os elementos norteadores da teoria da razão poética. O presente trabalho procura mostrar as contribuições da referida autora tanto para a filosofia quanto para a expressão da mitologia grega como um modo de estender o horizonte do pensamento racional para além das amarras conceituais, encontrando na razão poética um forte elemento emancipador de uma outra forma de pensar e sentir o sagrado mítico.