A presente pesquisa visa analisar a instrumentalização dos seres não humanos, amplificar a proteção dos direitos animais e questionar o papel dos seres humanos para uma ética animal na contemporaneidade. Embora a ética deontológica kantiana reconheça certos deveres indiretos em relação aos animais, como o dever de não ser cruel com eles por respeito à humanidade presente em nós mesmos, conforme exposto na segunda parte da Metafísica dos Costumes, ainda assim ela os exclui do âmbito dos fins em si mesmos por não possuírem racionalidade e autonomia. Essa torna-se uma questão iminente para a pesquisa acadêmica, posto que a questão de como o ser humano lida com os animais, sua senciencia, sua capacidade ao afeto, dor e prazer, faça com que se questione cada vez mais a forma como pretende-se lidar com a relação humano-não-humano. É preciso um olhar racional acerca dessa dinâmica para que só assim, desta feita, seja possível proteger os animais de forma ética. Tal estudo será realizado mediante pesquisa bibliográfica, especialmente no livro Ética Prática de Peter Singer (1979) e na Fundamentação da Metafísica dos Costumes de Immanuel Kant (1785) como livros base, além de autores como Sônia Felipe (2009), Richard Ryder (2014), Ricardo Di Napoli (2013), dentre outros para uma melhor compreensão do tema dentro do contexto social contemporâneo. Desse modo, questionar uma visão ética e igualitária para além da deontologia kantiana mostra-se cada vez mais pertinente dentro do contexto social em que a humanidade caminha para que assim seja possível uma ética animal prática e que se afaste cada vez mais do modelo antropocêntrico de Kant (2007).