A presente pesquisa tem como objetivo investigar a noção do “tornar-se o que se é”, e como ela se relaciona com a noção de amor fati, como um tarefa para avaliação dos valores afirmativos da vontade de potência. Dessa forma, analisaremos o problema da autocriação em Nietzsche como um processo inerente a sua noção de vivência – apresentada ao longo de seus escritos, e especialmente em Ecce Homo, associada à sua visão fatalista da existência trágica. A pesquisa se divide em três partes: na primeira, procuraremos apresentar o que Nietzsche pensa pelo mundo como vontade de potência – a doutrina da vontade de potência como um conceito capital da última fase de sua obra. Assim como do eterno retorno, focando não na relevância do mesmo como parte de uma visão cosmológica, e sim enquanto um imperativo valorativo de afirmação da vida. Na segunda parte, explicitaremos a visão de Nietzsche da existência trágica, o conceito de vivência (Erlebnisse), e a relação destes com o amor fati enquanto imperativo complementar ao eterno retorno do mesmo. Por fim, na terceira parte, analisaremos o que o filósofo compreende por “tornar-se o que se é” em sua noção de vida como obra de arte – assim como as implicações e problemas deste tema delimitando a análise a partir das interpretações de Alexander Nehamas e Rosa Dias sobre o tema da autocriação em Nietzsche.