Notícias

Banca de DEFESA: ANTONIA ALIKAENE DE SÁ

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: ANTONIA ALIKAENE DE SÁ
DATA: 25/02/2021
HORA: 09:00
LOCAL: meet.google.com/ihq-ejqb-nds
TÍTULO: Expedição de Spix e Martius no Piauí: Flora e Aspectos Socioeconômicos 200 anos depois
PALAVRAS-CHAVES: Caatinga; Flora Brasiliensis; Indígenas; Naturalistas; Socioeconomia
PÁGINAS: 145
GRANDE ÁREA: Outra(s)
ÁREA: Ciências Ambientais
RESUMO:

O Brasil, desde o seu descobrimento, tem sido admirado e visitado pelos europeus, tanto pela fertilidade e diversidade biológica, quanto pelas riquezas minerais e a cultura do seu povo. Naturalistas europeus, atraídos pela variedade de paisagens e formas de vida vieram ao país. Dentre os visitantes destacaram-se Spix e Martius que a partir de uma expedição científica de três anos (1817 a 1820) percorreram o Brasil de sudeste a noroeste. Em 2019 completaram-se 200 anos que passaram pelo interior Piauí. Estes cientistas deixaram um grande legado de descobertas, o que nos motivou a pesquisar e a atingir os seguintes objetivos: (I) Inventariar a Flora atual da região percorrida por Spix e Martius no Piauí comparando dados com as espécies do Piauí descritas na Flora Brasiliensis; (II) Levantar informações acerca dos aspectos socioeconômicos com base no relato da expedição para comparar com o moemtno atual; (III) Discutir a desterritorialização e territorialização indígena que ocorreram na região Piauiense, por onde passou a Expedição; e (IV) Produzir material para transposição didática sobre a história da Expedição no Piauí. A seleção dos municípios para realização da nova excursão seguiu a rota descrita por Spix e Martius, comparando com a atual divisão político-geográfica do Piauí. A revisita aconteceu em uma expedição ao campo, maio/2019. As plantas coletadas na expedição foram herborizadas e identificadas, com base na classificação proposta pelo APG IV, usando metodologia usual em botânica. Como resultados, a composição florística deteve 162 taxa distribuídos em 114 gêneros e 37 famílias. Fabaceae (39spp.), Malvaceae (16 spp.), Poaceae (15 spp.), Bignoniaceae e Euphorbiaceae (9 spp. cada) foram as famílias mais representativas e os gêneros mais representativos foram Sida sp., (6 spp.) Cyperus sp. (5spp), Waltheria sp.,Chamaecrista sp., Mimosa sp. e Ipomoea sp. (4 spp. cada). A vegetação apresenta espécies endêmicas da Caatinga e do Cerrado. No levantamento das espécies do Piauí contidas na Flora Brasiliensis foram encontradas 166 espécies coletadas por Martius, distribuídas em 36 famílias. Fabaceae (43 spp.), Poaceae (29 spp.), Malvaceae (9 spp.), Asteraceae e (8 spp.) Arecaceae (7 spp.), apresentaram maior número de espécies. Das 166 espécies, 78 (47%) sofreram alterações de nomenclatura e 91 (54,81%) foram incluídas em outras famílias. Permanecem com o mesmo nome 88 (53%), e dentre estas, 75 (45,18%) permanecem com o mesmo nome e ocupando a mesma família. Os aspectos comparativos mostraram que 14 (8,43%) espécies, 31 (18,67%) gêneros e 19 (52,77%) famílias são em comum com a flora atual coletada. Quanto ao hábito de vida a maior parte é formada por ervas. A flora atual quando comparada com a flora coletada por Martius apresentou pouca semelhança, exceto em nível de Família. Quanto ao perfil socioeconômico as principais transformações ocorridas foram a mudança da Capital para aproveitamento da navegabilidade do rio Parnaíba e a construção da Fábrica de Laticínios em Campinas. Em 1819, a região era pouco habitada, 71.370 com baixa densidade demográfica – 0,28 hab/km2. Só existia a cidade de Oeiras e algumas vilas. Passados 200 anos, a população alcançou 3.118.360 com densidade demográfica de 12,4 hab/km2, considerada ainda baixa. Atualmente o Piauí está dividido em 224 municípios, 16 deles perfazem a região de estudo. Toda população hoje tem acesso à educação. Os municípios com maior IDEB na região são Oeiras e Acauã. A região está agrupada em territórios de desenvolvimento e suas principais potencialidades econômicas são apicultura, bovinocultura e cajucultura. Os indicadores socioeconômicos demonstram que a região continua subdesenvolvida havendo necessidade de ampliação de políticas públicas para a região semiárida e intervenções do setor privado, identificando potencialidades dos municípios, sob uma perspectiva de desenvolvimento regional. Quanto aos indígenas Gueguê e Acaroás relatados por Martius no Piauí, observou-se que estes passaram pelo processo de desterritorialização e territorialização, a comunidade se organizou existencialmente em uma região (Regeneração e Amarante), marcada pela desterritorialização e dizimação de grupos indígenas. Essas mudanças foram marcadas pelo trabalho escravo e resistência dos grupos indígenas e negros. Atualmente a comunidade é reconhecida como Mimbó e reside em Amarante. Por fim, visando a disseminação do conhecimento, foi produzido um material didático ilustrado em cordel para divulgar a epopeia dos naturalistas no sertão Piauiense com um relato da viagem a ser disseminado nas escolas da educação básica, principalmente nos municípios contemplados pela pesquisa.


MEMBROS DA BANCA:
Interno - 1670535 - CLARISSA GOMES REIS LOPES
Presidente - 302.181.523-53 - FRANCISCO SOARES SANTOS FILHO - UESPI
Interno - 1221652 - IVANILZA MOREIRA DE ANDRADE
Externo à Instituição - MARCELO DE SOUSA NETO - UESPI
Externo à Instituição - MARCIA CASTELO BRANCO SANTANA - UESPI
Notícia cadastrada em: 05/02/2021 12:45
SIGAA | Superintendência de Tecnologia da Informação - STI/UFPI - (86) 3215-1124 | © UFRN | sigjb06.ufpi.br.instancia1 23/10/2021 11:34