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Banca de DEFESA: LUCAS OLIVEIRA BRAGA

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: LUCAS OLIVEIRA BRAGA
DATA: 30/05/2014
HORA: 15:00
LOCAL: AUDITÓRIO DO TROPEN/UFPI
TÍTULO:

 MONITORAMENTO DE MOSCAS-DAS-FRUTAS (DIPTERA, TEPHRITIDAE) E PERCEPÇÃO ENTOMOLÓGICA EM UMA COMUNIDADE RURAL NO MUNICÍPIO DE UNIÃO (PI)


PALAVRAS-CHAVES:

 Ecologia; Tephritidae; Etnoentomologia;


PÁGINAS: 150
GRANDE ÁREA: Outra
ÁREA: Ciências Ambientais
RESUMO:

 

 

Os insetos por sua grande adaptabilidade, evidenciada por sua presença e abundância nos mais diferentes ecossistemas têm importância direta ou indireta para as sociedades humanas, sendo objeto de estudo dos mais variados campos da ciência. Na agricultura, dentre as pragas incidentes de interesse econômico destacam-se as moscas-das-frutas (Tephritidae) dentro da fruticultura brasileira, uma das principais atividades do país, onde estudos ecológicos são a base para o manejo ecológico eficiente. Do ponto de vista etnobiológico as moscas-das-frutas, bem como os demais insetos, interagem com o homem, participando dos aspectos cognitivos do mesmo. A interação do homem com a natureza durante atividades cotidianas como em populações rurais proporciona uma relação mais próxima com a fauna. A Etnoentomologia parte de uma visão interdisciplinar para desvendar a lógica existente por trás dos conhecimentos, crenças, taxonomia e sistemática desenvolvidos sobre a entomofauna. Diante da escassez de estudos ecológicos e etnobiológicos no estado do Piauí, objetivou-se em uma comunidade rural no município de União/PI: identificar as espécies de tefritídeos, frutíferas hospedeiras e parasitóides associados; realizar análise faunística dos tefritídeos; caracterizar a flutuação populacional relacionada aos elementos metereológicos; determinar a composição do etnodomínio “inseto”; levantar os usos relacionados aos insetos; registrar a classificação folk local; registrar o conhecimento tradicional entomológico existente. O estudo faunístico ocorreu através da coleta de frutos em pomares domésticos e mata de cocais, e da instalação de armadilhas-pet, na comunidade Novo Nilo durante o período de um ano. A partir das moscas-das-frutas e parasitóides emergidas dos frutos em laboratório calculou-se os índices de infestação e parasitismo. Já dos indivíduos coletados nas armadilhas foi realizada a análise faunística e a flutuação populacional dos tefritídeos, esta última foi estatisticamente comparada aos elementos metereológicos. No estudo etnoentomológico foram realizadas entrevistas com auxílio de formulários semiestruturados, com questões abertas e fechadas com os moradores locais, testes projetivos com fotografias e espécimes coletados, turnês-guiadas, registros fotográficos e conversas informais; foram também calculados índices de usos relacionados aos insetos na comunidade. Das 14 espécies de frutíferas coletadas, apenas cinco hospedeiras foram constatadas, observando-se a infestação predominante de A. obliqua sobre cajá (S. mombin L.) e umbú (S. tuberosa Arr. Cam.), e A. zenildae em goiaba (P. guajava L.). A cajazeira e o umbuzeiro foram considerados hospedeiros primários de A. obliqua Macquart, 1835 em função da elevada infestação obtida. Dos frutos emergiram três espécies de parasitóides: D. areolatus (Szépligeti, 1911), O. bellus Gahan 1930 e U. anastrephae (Viereck, 1913) com elevada incidência em frutos de Spondias. Seis espécies de moscas-das-frutas  foram capturadas: A. obliqua Macquart, 1835, A. zenildae Zucchi, 1979, A. fraterculus Wieldemann, 1830, A. serpentina Wieldemann, 1830, Anastrepha sp.1 e Anastrepha sp.2. A caracterização faunística apontou A. obliqua como espécie predominante, obtendo-se baixo índice de diversidade de Shannon (0,92), o que indica a existência de condições limitantes. A flutuação populacional mostrou-se associada à disponibilidade de frutos hospedeiros e, também, aos fatores climáticos: precipitação pluvial (mm), umidade relativa (%), temperatura média (ºC) e temperatura máxima (ºC). A partir das entrevistas etnobiológicas com moradores, constou-se um amplo etnodomínio “inseto” composto tanto de animais pertencentes como não pertencentes através de uma visão predominantemente negativa, mas também existindo contradições quanto à percepção positiva ou negativa, corroborando com a hipótese da ambivalência entomoprojetiva. Na percepção dos entrevistados, observou-se a associação das moscas à transmissão de doenças, e embora a forma adulta das moscas-das-frutas não tenham sido diferenciada das demais moscas, sua fase larval no interior dos frutos, de nome vernacular bicho-da-goiaba, foi objeto de repulsa, participando da cognição dos entrevistados na explicação de sua origem, sendo a geração espontânea a mais relatada.  O principal uso dos insetos é o medicinal e lúdico, do mel da abelha (Apis mellifera L., 1758) e das libélulas (Odonata). Destacou-se também o consumo de larvas de coleópteros (Pachymerus nucleorum Fabricius, 1792) presentes nos frutos de palmeiras e um novo registro de uso medicinal da barata (Periplaneta americana L., 1758). Na classificação folk desenvolvida são utilizados critérios morfológicos, comportamentais e ecológicos. Na descrição dos insetos pertencentes à categoria Insecta se destacou por uma maior riqueza de informações o grupo dos himenópteros (abelhas, marimbondos e cavalo-do-cão), responsáveis por artropodoses, sendo identificadas sete etnoespécies de abelhas e dez de marimbondos, e como pragas de lavouras locais: formiga saúva (Atta spp), lagarta-do-milho (Spodoptera frugiperda Smith, 1797) e pulgão (Aphididae). Portanto, observou-se na região a predominância ecológica de A. obliqua por sua especialização às frutíferas S. mombin e S. tuberosa, hospedeiros primários dos mesmos. Esses hospedeiros pelo elevado índice de parasitismo por D. areolatus e O. bellus obtido têm potencial como repositórios naturais no controle biológico. Constatou-se influência dos fatores climáticos na flutuação populacional dos tefritídeos, principalmente nos períodos de baixa umidade relativa e elevadas temperaturas. O conhecimento entomológico tradicional local se mostrou relevante, evidenciando a interação da população com a entomofauna local nas suas atividades cotidianas, destacando-se o uso medicinal e riqueza de informações biológicas e ecológicas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


MEMBROS DA BANCA:
Interno - 423426 - JOSE DE RIBAMAR DE SOUSA ROCHA
Externo à Instituição - JULIANA DO NASCIMENTO BENDINI - CNPq
Presidente - 1167867 - PAULO ROBERTO RAMALHO SILVA
Notícia cadastrada em: 16/05/2014 16:20
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