A dissertação investiga como a dinâmica comunicacional da Sociedade 4.0 tem influenciado
mudanças institucionais e tensionamentos no processo democrático brasileiro. Parte-se da
compreensão de que a Quarta Revolução Industrial reconfigura profundamente as formas de
interação social, ampliando a liberdade comunicacional, mas também produzindo efeitos
paradoxais, como a fragmentação discursiva, a formação de bolhas informacionais e a erosão
do agir comunicativo. A pergunta central indaga de que modo a teoria habermasiana do agir
comunicativo se relaciona com as transformações institucionais observadas na democracia
brasileira contemporânea. A hipótese sustentada é que a atuação das plataformas digitais,
somada à desinformação e à polarização, fragiliza as condições de racionalidade comunicativa
necessárias à deliberação democrática, contribuindo para tensões institucionais perceptíveis
desde a década de 2010. Metodologicamente, adotou-se abordagem qualitativa, com método
jurídico‐sociológico, complementado por análise histórica e dialética. O marco teórico articula
Habermas, North, Bauman, Han, Hayek dentre outros. A pesquisa examinou dados sobre redes
sociais no Brasil, casos recentes de desinformação, decisão do STF no RE 1057258/MG, e o
debate legislativo sobre regulação das plataformas. Conclui-se que a Sociedade 4.0 intensifica
transformações institucionais no regime democrático brasileiro, ao mesmo tempo em que
desafia a manutenção de um espaço público orientado pelo agir comunicativo, exigindo novas
formas de regulação, educação midiática e fortalecimento das instituições democráticas.