Esta dissertação analisa o modelo de governança eleitoral brasileiro, investigando como sua configuração institucional e a atuação da Justiça Eleitoral influenciam a qualidade e consolidação da democracia no país. A governança eleitoral é compreendida como o conjunto de atividades relacionadas ao procedimento eleitoral que envolvem a elaboração de regras (rule making), a aplicação de normas (rule application) e a resolução de conflitos (rule adjudication). Aborda-se a interrelação entre o exercício da governança eleitoral e a concretização da democracia: destaca-se que, apesar da primeira não implicar necessariamente na segunda por não ser o único fator necessário, não há como falar em uma democracia estabelecida e consolidada sem uma gestão de governança eleitoral que consiga manter a lisura da representação popular pela escolha legítima dos representantes, através de um procedimento sério, probo, igualitário e justo. O trabalho explora as classificações doutrinárias para situar os Organismos de Gestão Eleitoral (EMBs) e de Resolução de Disputas (EDRBs). Realiza-se uma análise comparativa da governança eleitoral na América do Sul, identificando as singularidades do modelo brasileiro frente aos vizinhos regionais. Em seguida, percorre a evolução histórica da Justiça Eleitoral no Brasil, desde sua fase pré-institucional até a consolidação sob a égide da Constituição de 1988, destacando momentos de ruptura e continuidade, como a extinção de tal justiça especializada no Estado Novo e a reestruturação após o Código Eleitoral de 1965. Por fim, a dissertação foca no protagonismo da Justiça Eleitoral brasileira contemporânea. Analisa-se como o acúmulo de competências administrativas, normativas e jurisdicionais cria uma "Justiça Eleitoral ativa". Conclui-se que, embora esse modelo tenha garantido a integridade e a eficiência técnica do processo de votação, o alto grau de discricionariedade normativa e o ativismo no julgamento de candidaturas impõem desafios e implicações significativas para o equilíbrio democrático e a representação política.