Plantas medicinais são utilizadas há muito tempo na medicina tradicional para tratar e
prevenir diversas doenças. O gênero Dipteryx (Fabaceae) compreende 14 espécies na
América do Sul e Central, destacando-se pela diversidade de compostos, como
cumarinas, flavonoides e terpenoides. Este estudo visa investigar os constituintes
químicos de Dipteryx lacunifera do estado do Piauí, Brasil, e avaliar suas atividades
citotóxica, antimicrobiana e anticolinesterásica. Cinco compostos foram isolados da
fração hexânica derivada do extrato etanólico das folhas: um esteroide, β-sitosterol (1);
dois triterpenoides, lupeol (2) e betulina (3); e dois sesquiterpenos, espatulenol (4) e
(1aR*,2'R*,4aR*,7S*,7aS*,7bR*)-1,1,7-trimetildecahidroespiro[ciclopropa[e]azuleno-
4,2'-oxirano]-7-ol (5). Por meio de CG-MS, foram identificados 19 compostos
adicionais, tais como hidrocarbonetos, esteroides, diterpenos e ácidos graxos. O
constituinte 1 exibiu efeitos citotóxicos contra as linhagens de células tumorais BF-F10
e PC3. Quanto à atividade anticolinesterásica, a fração hexânica demonstrou inibição
apenas na concentração mais elevada, enquanto a atividade antimicrobiana revelou
eficácia contra as bactérias Gram-positivas Enterococcus faecalis e Staphylococcus
aureus. Relatamos, pela primeira vez, um sesquiterpeno raro isolado das folhas de
Dipteryx lacunifera, destacando seu potencial terapêutico e contribuindo para a
compreensão científica da biodiversidade do Cerrado piauiense.