Esta pesquisa analisa como o conservadorismo incide sobre a atuação parlamentar dos jovens
congressistas a partir dos seus Projetos de Leis submetidos ou apoiados. Tomamos como
sujeitos os congressistas jovens considerando como esses jovens ocupam espaços de poder
que são alcançados mediante a busca pela conexão com o eleitorado, desse modo, mesmo
constituindo-se número reduzido de indivíduos, esses jovens representam as percepções
políticas e ideológicas de uma parcela significativa da população brasileira. Os objetivos
específicos do estudo foram: conceituar jovens conservadores; avaliar como os jovens se
posicionam ideologicamente; mapear as candidaturas de jovens ao congresso nacional nos
pleitos desse início do século; analisar os projetos de leis (PLs) propostos ou apoiadas pelos
congressistas jovens eleitos em 2018, compondo legislatura encerrada em 2022. Para alcançar
os objetivos propostos a pesquisa adotou duas abordagens metodológicas. Inicialmente
utilizamos métodos quantitativos para avaliar a distribuição ideológica dos jovens, a partir do
Estudo Eleitoral Brasileiro (ESEB) de 2022. Esse banco de dados foi escolhido na medida em
que é especialmente desenvolvido para o contexto brasileiro e possui questões que permitem
aferir a ideologia tanto na perspectiva esquerda-direita quanto na conservador-progressista.
Ainda numa abordagem quantitativa utilizamos os dados públicos do Tribunal Superior
eleitoral de modo a criar uma linha do tempo com as candidaturas de jovens e sua vinculação
ideológica. Por fim utilizamos dados da Câmara de Deputados, especialmente os Pls de modo
a realizar uma abordagem qualitativa para avaliar como o conservadorismo tem se
manifestado na atuação parlamentar dos jovens (especialmente se do tipo reativo ou
propositivo). Os resultados indicam que o jovem conservador é definido por uma radicalidade
nos posicionamentos conservadores pautada na centralidade da família, religião e do poder do
Estado, procurando pautar as mudanças sociais e políticas em vista de proteger ou retornar a
um passado idealizado. Além disso, constatamos que os jovens são mais propensos ao
conservadorismo e à direita, além de uma atuação mais radical na pauta dos costumes por
parte dos jovens congressistas conservadores, evidenciando como o conservadorismo não se
constitui em mera reação ao campo progressista, mas se antecipa e procura controlar os
processos de mudança social e política.