A pergunta "Para que servem as escolas?", de Michael Young (2007), inspira esta tese que
investiga as transformações no sistema educacional brasileiro pós-promulgação da Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9.394/96), coincidente com o neoliberalismo e
a reestruturação do Estado sob influência de organismos como Banco Mundial, OCDE e FMI.
Nessas reformas, a educação – direito fundamental do art. 205 da Constituição Federal de 1988
– prioriza lógicas gerencialistas, mercadológicas e avaliacionistas, com foco em resultados
quantitativos, em detrimento da formação emancipatória, cidadã e crítica. A Geografia,
componente das Ciências Humanas, destaca-se por fomentar o pensamento geográfico crítico,
interpretando processos socioespaciais além das aparências (Cavalcanti, 2019, 2025), mas sofre
com redução de carga horária, falta de formação continuada e priorização de disciplinas "de
primeira ordem", comprometendo a autonomia docente (Shiroma, 2018; Laval, 2019; Cóssio,
2018; Callai & Cavalcanti, 2023). O problema central indaga: Quais as implicações das
políticas de formação pós-LDB para a formação e profissionalização de docentes de Geografia
na educação básica? Subquestões: 1) Atendem necessidades para práticas autônomas e
autorais? 2) Formação inicial (Licenciatura) e continuada (Mestrado/Doutorado) fomenta
pensamento geográfico crítico? A hipótese propõe que essas reformas reconfiguram o
saber/fazer docente, priorizando eficiência sobre emancipação. Justifica-se pela crise
humanitária atual e alinhamento de políticas como BNCC às demandas mercadológicas,
demandando análise para resgatar o papel social da Geografia. O objetivo geral é analisar
políticas de formação inicial e continuada de docentes de Geografia, identificando avanços,
retrocessos e desafios nas reformas brasileiras e piauienses pós-1996. Especificamente,
compreende reformas e implicações para formação em Geografia; investiga avanços,
retrocessos e permanências na formação inicial; identifica contribuições, limites e
possibilidades da formação continuada; e elabora recomendações para políticas críticas e
autônomas. A metodologia é qualitativa, com análise bibliográfica, documental (LDB, CFB/88,
BNCC, resoluções) e empírica (entrevistas com docentes de Geografia cursando/egressos de
pós-graduação stricto sensu nas redes municipal e estadual de Teresina/PI). A análise
documental será realizada à luz do ciclo de políticas de Ball e Bowe (1992) e tem como método
de interpretação dos dados empíricos os núcleos de significação (Aguiar e Ozella, 2006 e
Aguiar; Soares; Machado, 2015). Delimita-se ao recorte 1996-atual, focando Brasil e Piauí,
com população de docentes da educação básica em Teresina com formação stricto sensu. A tese
contrapõe o modelo neoliberal, propondo formação articulada teoria-práxis para cidadania
emancipatória.