Este estudo centra-se na análise das relações sociais de famílias com vítima de
feminicídio sob a perspectiva racializada, no Brasil e no México, tendo como recorte
temporal o período posterior a 2014, considerando o cenário marcado pela última crise
econômica de 2014 e a ascensão da direita em 2016, com a organização do narcotráfico.
Parte-se do pressuposto de que o sistema capitalista é um modelo de dominação masculina
e de opressão-dominação das mulheres, em que ocorre primeiro com a família, com sua
força de trabalho, poder e acumulação privada, acometida em constância para poucos, na
qual, paralelo a isso, além de situações vistas como naturais, como a pobreza de muitos,
em razão da dificuldade de acumular grandes capitais, há violências de todos os tipos, como
o próprio feminicídio, que não é natural, e que faz com que muitas vidas culminem em morte
apenas por serem mulheres. Nesse sentido, tem-se como pergunta de pesquisa: como se
apresentam as vivências das famílias de vítimas de feminicídio e a ação do Estado nas
políticas públicas de enfrentamento ao feminicídio no Brasil e México, a partir de uma
perspectiva racial, de classe e de gênero? Com base nessa questão de pesquisa, objetiva-
se, de modo geral, analisar as vivências das famílias de vítimas de feminicídio e a ação do
Estado nas políticas públicas de enfrentamento ao feminicídio no Brasil e no México, a partir
de uma perspectiva racial, de classe e de gênero. Conclui-se que o feminicídio, no Brasil
e no México, é expressão de estruturas sociais profundas, articuladas pelo patriarcado,
pelo racismo e pelo capitalismo dependente. Avanços legais, como a Lei Maria da Penha
e mecanismos de Alerta de Gênero, mostram limites diante de desigualdades
socioeconômicas, racismo estrutural e violência institucional. A perspectiva do feminismo
marxista, combinada à análise interseccional, revela que raça, gênero e classe são
consubstanciais, afetando especialmente mulheres negras, indígenas e periféricas. O
feminicídio expõe falhas do sistema que disciplina e mata mulheres que desafiam o
reconhecimento patriarcal, reforçando a necessidade de mudanças estruturais, avaliação
contínua e políticas públicas intersetoriais capazes de intervir concretamente na
desigualdade e na violência de gênero.