Esta pesquisa investiga a complexa e paradoxal interação entre intervenções
urbanísticas estatais, a escalada da violência e a reconfiguração das estruturas de poder em
cidades médias brasileiras, utilizando Sobral, no Ceará, como um estudo de caso paradigmático.
O problema central reside em compreender como a produção do espaço urbano, orquestrada
pelo Estado entre os anos de 2017 à 2024, dialoga – de forma explícita ou implícita – com as
dinâmicas de dominação territorial impostas pelo crime organizado manifestado na cidade.
A análise deste fenômeno revela-se de importância estratégica para as políticas públicas
atuais, uma vez que as cidades médias, antes vistas como refúgios das problemáticas
metropolitanas, convertem-se em arenas de conflitos que refletem as tendências
macroestruturais do capitalismo tardio, exigindo um arcabouço analítico que transcenda a
dicotomia simplista entre repressão e desenvolvimento.